domingo, 31 de outubro de 2010

O destino do Brasil

Em quem os brasileiros vão votar?

Na Dilma...




... ou no Serra?



sábado, 18 de setembro de 2010

O futuro já começou

O título condiz com o tema deste texto, sobre o aniversário da TV brasileira. Conhecido verso da música de final de ano da maior emissora do Brasil, "O futuro já começou" também representa o atual estágio da nossa televisão. Entre a resistente velha guarda, há jovens que mantêm a "fábrica de sonhos" funcionando.

Parece que o tempo não passou para a TV brasileira. Na Globo, a nova novela das seis, Araguaia, terá no elenco Lima Duarte, Regina Duarte e Laura Cardoso. A novela das sete voltou 25 anos para resgatar o sucesso de Ti-ti-ti. O SBT é a maior prova do passado no presente: Manoel da Nóbrega criou A Praça da Alegria em 1957, e seu filho, Carlos Alberto, manteve a ideia em A Praça é Nossa. Sem contar os ícones: Raul Gil, Hebe Camargo e o mestre Silvio Santos, que sustenta a audiência de sua emissora com reprises - das câmeras escondidas dos anos 1990 às novelas da extinta Rede Manchete, passando pelo mexicano Chaves, há 26 anos no ar.

Apesar disso, a renovação da TV já começou há mais de vinte anos e está se aproximando do ápice. Silvio Santos já tinha consciência de sua finitude quando anunciou a aposentadoria, em 1988, deixando os domingos sob a responsabilidade do pupilo Gugu Liberato - o que não ocorreu. A Globo já sabia que deveria ter um substituto para Chacrinha, um velho guerreiro em fase terminal. Fausto Silva preencheu a lacuna parcialmente: sua língua - o que que mais o aproximava de Abelardo Barbosa - foi polida. E o gordo desbocado do Perdidos na Noite virou o Faustão, em 1989. Hoje, o destino dos programas de auditório está nas mãos de Celso Portiolli (SBT), Luciano Huck (Globo) e Rodrigo Faro (Record).

Em 1990, veio a MTV Brasil e um novo conceito: a segmentação. A TV por assinatura, ascendente mas ainda tímida nas classes mais baixas, impulsionou essa transformação. Canais destinados à mulher, à criança, à música, ao cinema, ao jornalismo. Com o controle remoto, o telespectador aprendeu a escolher. A primeira década do século XXI termina com as emissoras tentando adivinhar o que atrai audiência certa.

Tal poder de decisão definirá os rumos da TV nos próximos anos. Com o público cada vez mais longe de casa, o televisor terá mais importância como artigo decorativo, mas a televisão continuará existindo: na internet, no celular. O televisor será mais móvel como nunca. A alternativa para escapar da concorrência com outras mídias é unir-se a elas.

E o conteúdo? Prognóstico mais certo é o da continuação da hegemonia da Globo. Mas o futuro das emissoras restantes é incerto. O SBT não sabe como irá se comportar quando Silvio Santos inevitavelmente parar. A Record ainda tem dificuldade para andar com as próprias pernas - e abandonar as duas muletas: Igreja Universal e cópia do Padrão Globo de Qualidade. A RedeTV!, caçula dos canais VHF, investe em tecnologia o que não investe em excelência na programação. À Band falta a mesma ousadia com a que apresenta no jornalismo.
As maiores transformações de fato acontecerão quando as gerações seguintes assumirem o controle das emissoras. A atuação dos herdeiros dos Marinho, dos Abravanel e dos Saad definirá se a TV realmente entrará em nova fase. Mas o público - felizmente - tem mais opções para se informar e se entreter. Quando quiser. Onde quiser. A TV já moldou o brasileiro. Chegou a vez de o brasileiro moldar a TV. O futuro já começou.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Autobiografia alvinegra

É fácil demais torcer pelo time que está ganhando. Queremos ser vencedores, e imprimimos nossa vontade de triunfar, por exemplo, no futebol. Então, como explicar a existência de uma Nação formada por 30 milhões de apaixonados por um time que não conquistou títulos internacionais significativos nem possui estádio – por enquanto – digno? Uma pergunta tão complexa pode ser respondida com exemplos pessoais. Conto, pois, o meu.

Contrariando a lógica familiar, não herdei de meu pai o time do coração. Simplesmente porque ele não torcia – e ainda não torce – por time algum. E a aversão dele ao futebol contagiou-me durante sete anos. Minha memória inicia-se em 1993, quando decidi ser torcedor de um time por ano. Isso mesmo. Só que a memória para aí. Não me lembro quais os times escolhidos, exceto por uma lembrança: uma caneca, comprada em 1993, do Corinthians. Nesse ano, portanto, eu era corintiano. Ano em que o Corinthians não foi campeão – perdendo inclusive para seu arquirrival, Palmeiras. Por que torci por um time perdedor, então?

O ano de 1997 foi um divisor de águas. O Corinthians venceu o Campeonato Paulista às vésperas do meu aniversário de oito anos. Fui seduzido pela conquista, que acalmou um dos anos mais conturbados de minha vida. A partir do título paulista, tornei-me corintiano. Mas o azar pegou-me de surpresa: o segundo semestre do time foi catastrófico, correndo o risco de cair para a segunda divisão no Campeonato Brasileiro. No entanto, mantive minha fidelidade ao Corinthians. Por quê?

Fiel em 1998, quando Raí tirou o título paulista do Corinthians. Jogo que perdi. Tive que acompanhar minha mãe em uma busca inquietante pelo CD “Chiquititas 2” para minha irmã. Minha fúria, aos 9 anos de idade, era mais uma prova de que já não pertencia a mim mesmo, mas ao Corinthians.

Em seguida, veio a época mais vitoriosa do clube. Quatro títulos, sendo dois nacionais e um mundial. Entreguei minha vida ao Corinthians, colecionando tudo (o que estava ao alcance do meu bolso infantil) sobre o clube. Camisas, jornais, pôsteres e revistas – a maioria destas, aliás, assinadas por quem viria a ser meu professor de Jornalismo, uma emocionante coincidência. Em 1999, era orgulho ser corintiano, mesmo tendo sido eliminado da Taça Libertadores pelo Palmeiras. E daí? Aquele timaço apaixonado sobrepujava qualquer gozação adversária.

O desafio final veio em 2000. Comemorei o Mundial embalado pelas conquistas do ano anterior. Contudo, a nuvem alvinegra que pairou sobre mim durante esse tempo tornou-se negra por completo. Uma de minhas maiores decepções como corintiano aconteceu em 6 de junho. Terça-feira. Véspera do meu aniversário de 11 anos. Semifinal da Taça Libertadores. Corinthians x Palmeiras. Após termos vencido com suor e raça o primeiro jogo por 4 a 3, nos preparamos para a segunda e decisiva partida. Jamais havíamos chegado tão longe na competição mais aguardada pelos corintianos. O calendário castigou o time, que tinha três jogos importantíssimos na mesma semana. Os reservas foram eliminados da Copa do Brasil pelo Botafogo, na quinta-feira. Dois dias depois, o São Paulo nos tirou do Paulistão. Revés atrás de revés, mas não me desanimei e acompanhei o jogo da minha vida pela televisão.

O resultado: eliminação nos pênaltis. Após a cara incrédula, o desabafo. O choro incontido no quarto. A expectativa ruim para o dia seguinte, quando esperaria os colegas palmeirenses prontos para tirar sarro do único corintiano da sala. Eu já sofria bullying por outros motivos, desta vez por ser corintiano. E agora, o que faço? Troco de time? Desisto do futebol? Não. Bom, eu realmente me afastei do vício e ingressei na pré-adolescência. Mas o amor que eu acreditava ter sido suprimido pela dor da derrota, reaparecia a cada título posterior. Sem perceber, comemorei com incrível entusiasmo as conquistas no Campeonato Paulista, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro. Resisti às lágrimas em 2007. Vibrei com a volta em 2008.

Tantas derrotas citei neste texto. Tantos motivos para desistir de ser corintiano. Mas corintiano não desiste. Porque ser corintiano é razão de existência. Quando menos se espera, corpo e alma estão amalgamados ao amor pelo Corinthians. Não vibro pela vitória. Não vibro pela derrota. Vibro pelo Corinthians, e agradeço por essa alma alvinegra ter dado a mim um motivo para sorrir – e chorar; enfim, para viver. Obrigado, Corinthians!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Cemitério é um lugar de paz"

Hoje é sexta-feira, dia 13, data que remete ao terror. Para "comemorar", segue uma pequena entrevista realizada em junho com Zé do Caixão, ícone do cinema de terror brasileiro. A reportagem encontrou o cineasta no lançamento do DVD de A Sina do Aventureiro, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompeia. Confira abaixo:

Por que A Sina do Aventureiro só saiu agora em DVD?

Foi lançado em 1958 no cinema e os padres proibiram. Tive que ir para o interior e, em cada sala onde ia passar, revertia uma parte dos lucros para a Igreja da cidade onde estava, para que não proibissem. Foi uma fita que trouxe muitos problemas para mim, mas, ao mesmo tempo, abriu um caminho grande, porque foi o primeiro CinemaScope - técnica que utiliza lentes anamórficas para gravar filmes widescreen - brasileiro. Sinto-me orgulhoso por ter essa ousadia, porque na época diziam que não era possível fazer isso no Brasil. E, daí em diante, abriu-se o caminho para todos os filmes de Mojica, e entrei naquilo de que mais gostava, que é o gênero terror.

Mas A Sina do Aventureiro não é de terror, é?

Não, é um bangue-bangue. Para a época era violento e o consideraram muito erótico. Hoje não tem mais isso.

O terror não assusta mais?

Não. Hoje o gênero para assustar é difícil, porque o terror natural é muito maior do que o de ficção. Você sai na rua e não sabe se volta para casa. Vivemos um momento terrível, principalmente eu, que tenho filhos e netos. Fico preocupado o tempo todo. Sempre há reclamações, coisas acontecendo perto de casa. Estamos vivendo tempos de violência que devem ser levados ao cinema. Se ninguém se preocupar com isso, ano que vem devo abordar esse tema no cinema, para ver se quem entrar na Presidência começa a levar por um caminho mais sério. E usar o cinema, que é uma comunicação geral, como um emissor, para que o povo, principalmente a juventude de hoje, saiba o rumo a seguir.

Quer dizer que, depois de Encarnação do Demônio, haverá mais um filme do Zé do Caixão?

Encarnação do Demônio faz parte de uma trilogia que só termina com Sete Ventres para um Demônio. Meu próximo filme, Corpo Seco, não tem nada com encarnação. É uma obra de terror que vou fazer em Pouso Alegre (MG), sobre uma lenda local.

Há previsão para estreia?

A de Corpo Seco só será em 2011, porque nesse ano vou trabalhar no lançamento de A Praga - de 1980 -, que só faltam dois minutos para fazer a apresentação e será lançado em outubro.

Em 2009 e 2010, fez o “Cinetério” no Cemitério da Cachoeirinha (zona norte de SP). Isso o senhor já faz há um tempo...

O “Cinetério” eu faço há uns 30 anos. Isso para mim é a coisa mais normal do mundo. Tanto ir, dormir numa tumba aberta, não tem problema. Ou mesmo ficar em uma câmara de cadáveres congelados, já fiz isso muitas vezes.

Quantos cemitérios já visitou?

Entre o Brasil e o exterior, acho que uns 400. É muito cemitério.

Há mais do que pessoas mortas ali?

Tem muita coisa. Mas é legal, porque ninguém fala mal de ninguém. É um lugar de paz.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Debate ou bola?


Daqui a pouco, às 22 horas, o primeiro debate presidencial será exibido pela Band. No mesmo horário, o time do São Paulo joga contra o Internacional pela Taça Libertadores da América. A infeliz coincidência prejudica a democracia.

Para evitar que o segundo jogo da semifinal da Libertadores coincidisse com a final da Copa do Brasil, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmembol), a pedido da Rede Globo, adiou a partida em um dia. Assim, a emissora carioca poderia transmitir os dois jogos decisivos, e a Band não exibiria com exclusividade Vitória x Santos. Foi o que aconteceu ontem.

A alteração da data do jogo entre São Paulo e Internacional parece ter sido ignorada ou esquecida pela Band, que marcou o primeiro debate entre candidatos à presidência na mesma noite. A primeira vez em que Dilma Rousseff e José Serra se enfrentarão na televisão será ofuscada pela semifinal que a Globo transmitirá com exclusividade em TV aberta.

Como se não bastasse, o local do debate – a sede da TV Bandeirantes – e o do jogo – o estádio Cícero Pompeu de Toledo – ficam no mesmo local, o bairro do Morumbi (zona oeste de SP) a poucos quilômetros de distância um do outro.

Estranha o fato de que a Band é conhecida pelos debates e pela cobertura esportiva. No entanto, optou por não mudar a data do debate, já que os candidatos – especialmente Dilma Rousseff – cancelou a ida a vários eventos semelhantes por problemas na agenda.

No entanto, o maior prejudicado é o eleitor, que perderá a chance de acompanhar as propostas de Dilma, Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio. A Band, que se orgulha de sua tradição de debates, marcou um gol contra em seu primeiro ato nesta cobertura eleitoral.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Luto por Gibe


Faleceu na manhã desta sexta-feira Gilberto Fernandes, o Gibe, um dos maiores humoristas do Brasil. Intérprete do Papai Papudo, personagem do Bozo (SBT) e ator de câmeras escondidas ao lado de Ivo Holanda, Gibe ficou sumido por uns tempos da TV. Encerrou sua carreira como redator para os programas de Renato Aragão, o Didi (Rede Globo).

Uma de suas últimas aparições públicas foi na festa organizada pela cantora Marly Marley para ajudar o ator e humorista Viana Júnior, que interpretava o personagem Apolônio - conhecido por se irritar com a Velha Surda (Rony Rios, morto em 2001) em A Praça é Nossa (SBT). O show foi realizado no Teatro Gazeta (SP) em 19 de maio. Infelizmente, Viana veio a falecer em 7 de junho.

Tive a felicidade de encontrar-me com Gibe e Ivo Holanda no Teatro Gazeta. Gibe queria ter o entusiasmo de seu amigo, queria voltar a atuar em câmeras escondidas, mas já estava debilitado do sistema circulátório. Além disso, sentia dores nos pulmões e tinha dificuldade para andar.

Gibe nem viu o show promovido por Marly Marley, só quis ver os amigos. Parecia uma despedida anunciada. E foi. Mas ele será sempre lembrado: em uma câmera escondida postada no YouTube ou reprisada no Programa Silvio Santos. Ou quando, em um encontro de amigos, se alguém perguntar as horas outro gritar: "São 5 e 60".

Muito obrigado, Gibe.

domingo, 11 de julho de 2010

Um sábado no Anime Friends

Nelson Machado é homenageado no Oscar da Dublagem 2010

O primeiro fim de semana do Anime Friends, maior evento de cultura pop na América Latina, foi um sucesso. A organização melhorou em comparação ao ano passado; apesar disso, contratempos irritaram boa parte dos visitantes.

Realizado pela terceira vez consecutiva no Mart Center (zona norte de SP), o Anime Friends reuniu mais três eventos no mesmo local: Comic Fair, Asia Fest e SP Game Show. Consequência do crescimento do próprio Anime Friends, que começou em 2003 paraticamente destinado apenas aos animes e mangás e, gradativamente, integrou outros elementos da cultura jovem, como os games e os quadrinhos. Os quatro eventos puderam ser bem divididos em cada espaço do Mart Center.

Não houve filas, pelo menos
no sábado, dia 10 de julho, quando a reportagem compareceu ao evento. Uma das principais reclamações dos visitantes eram as filas gigantescas nos poucos caixas para trocar o dinheiro antes de comer (o real não é aceito na praça de alimentação). Cinco cabines, com dois caixas cada, espalharam-se pela praça, evitando a aglomeração.

Quem comprou ingresso antecipado era levado ao Palco Cosplay, onde seriam realizados concursos de coslpay, palestras e o Oscar da Dublagem, o principal acontecimento do dia além do Super Friends Spirits, show já tradicional que reúne intérpretes de canções de animações e seriados live-action japoneses.

Pois aí está um ponto negativo do evento. As duas maiores atrações foram programadas para o mesmo horário (19 horas), sendo o Oscar no Palco Cosplay e o Super Friends Spirits no Palco Principal. Os fãs tiveram que escolher entre acompanhar a premiação e conferir a apresentação de Akira Kushida, Takayuki Miyauchi e Shinichi Ishihara.

Não bastasse a coincidência de horários, o Oscar da Dublagem atrasou mais de uma hora. Os apresentadores da premiação, Hermes Baroli e Márcia Morelli, driblaram o alvoroço do público com dinamismo e bom humor. Os grandes vencedores da sétima edição do Oscar da Dublagem foram o estúdio carioca Delart e o filme Up - Altas Aventuras, com três prêmios, incluindo Melhor Direção e Melhor Dublagem. Um dos momentos mais emocionantes foi a homenagem a Nelson Machado (foto acima, retirada do site CavZodiaco.com.br), dublador de Kiko (Chaves), Fred Flintstone (Os Flintstones) entre outros personagens.

O teste final para a organização do Anime Friends será no próximo domingo, dia 18, último e mais lotado dia do evento. Abaixo, os vencedores do Oscar da Dublagem 2010:

Melhor dublagem: Up - Altas Aventuras (estúdio Delart).
Melhor direção de dublagem: Garcia Jr. (Up - Altas Aventuras).
Melhor dublador de protagonista: Isaac Bardavid (Logan em X-Men Origens - Wolverine).
Melhor dubladora de protagonista: Mariangela Cantú (Dra. Grace em Avatar).
Melhor dublador de coadjuvante: Lauro Fabiano (Dumbledore em Harry Potter e o Enigma do Príncipe).
Melhor dubladora de coadjuvante: Miriam Fischer (Bellatrix em Harry Potter e o Enigma do Príncipe).
Melhor narrador ou locutor: Philippe Maia (Todo Mundo Odeia o Chris).
Prêmio revelação da dublagem: Dudu Drummond (Russel em Up - Altas Aventuras).
Melhor canção ou trilha adaptada: Félix Ferrá (A Princesa e o Sapo).
Melhor redublagem ou sequência: Lost (estúdio Delart).
Melhor mixagem: Star Trek (estúdio Delart).
Melhor tradução ou adaptação: Marcelo Del Greco e Arnaldo M. Oka (Saint Seiya - The Lost Canvas).
Melhor dublagem de anime: Saint Seiya - The Lost Canvas (estúdio Dubrasil).
Melhor dublador de anime: Silas Borges (Alone em Saint Seiya - The Lost Canvas).
Melhor dubladora de anime: Cristiane Monteiro (Lindinha em Meninas Super Poderosas Geração Z).
Conjunto da obra: Nelson Machado.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Subitamente

Sem Copa, Band decide de última hora que exibirá Os Cavaleiros do Zodíaco

O maior sucesso da animação japonesa no Brasil finalmente retorna à TV. Porém, Os Cavaleiros do Zodíaco, que virou febre em meados dos anos 90, volta nesta tarde para a Band de forma repentina, sem alarde e com publicidade deficiente, e será exibido nos dias em que não haverá jogos da Copa do Mundo.

A notícia pegou de surpresa até mesmo o site CavZodiaco.com.br, o site sobre animes mais acessado no Brasil e parceira de praticamente todos os projetos relacionados a Os Cavaleiros do Zodíaco. Ontem, foi publicada a nota de que a série seria exibida na manhã de hoje, 30 de junho, dentro do programa Band Kids. Mais tarde, a informação foi corrigida: o dia permanece o mesmo, mas o horário mudou para 14h15. A estreia aconteceria em maio, mas fora adiada pela Copa do Mundo.

Mais irritante do que a troca para o horário de programação local – só passará para a Grande São Paulo – é o caráter súbito da informação. A Band demonstra, assim, total descaso com o produto que impulsionou uma geração de fãs nos anos 90. Os Cavaleiros do Zodíaco estreou em 1º de setembro de 1994 na extinta TV Manchete. Por lá ficou até 12 de setembro de 1997, após três anos de sucesso, ter ganhado da Globo no Ibope e vendido mais de 500 mil bonecos dos personagens da série – o principal objetivo da Samtoy, empresa espanhola de brinquedos que trouxera Cavaleiros, tardiamente, para o Brasil.

Após um hiato de seis anos, Cavaleiros voltou a ser pauta de revistas e dos primeiros sites especializados. Mas a censura barrou a exibição do anime nas manhãs da Rede Globo, que desistiu da compra e deixou o caminho aberto para a Band. Antes de voltar à TV aberta, o anime foi redublado – a versão do estúdio Gota Mágica foi extraviada; na Álamo, alguns erros que vieram da dublagem espanhola foram corrigidos – e estreou no canal fechado Cartoon Network exatamente nove anos depois da Manchete: 1º de setembro de 2003.

Até a exibição da Band, em 5 de julho de 2004, a venda dos bonecos aguçaram a nostalgia dos adolescentes, fãs da série quando eram crianças, e a curiosidade de uma nova geração já acostumada a animações japonesas como Pokémon e Dragon Ball Z. Quando Cavaleiros finalmente reestreou na TV aberta, veio a decepção: com a apresentação sofrida da cantora Kelly Key, a Band precisou cortar de dois a três minutos na história, além dos trechos violentos, para encaixar dois episódios das 17h30 às 18h15. A Band ficou satisfeita com os incríveis números de audiência; já o apresentador Datena não gostou de ter perdido metade do horário.

Este foi só o início da difícil temporada de Cavaleiros na Band. A estreia das sagas de Asgard e Poseidon aconteceu às 12h30 de 4 de abril de 2005, horário restrito à Grande São Paulo. Isso sem falar da estúpida ideia de cortar episódios da terceira reprise da saga do Santuário, às 17h30, para o último episódio ser exibido na sexta-feira e o primeiro de Asgard, na segunda-feira.

Gradativamente, Cavaleiros ia deixando a Band – exceto como tapa-buraco na programação – para ser exibido na Rede 21, canal do mesmo grupo, a partir de 22 de agosto de 2005. Em 2007, com o vencimento do contrato da saga do Santuário, as sagas de Asgard e Poseidon foram reprisadas exaustivamente. Após mais de dez transmissões sucessivas, Cavaleiros encerrou suas atividades no início de 2008, com o último episódio da saga de Asgard. Desde então, o anime teve exibição em canais menores, como a Rede Brasil (canal 59 UHF SP), mas por meio de reprodução dos DVDs lançados pela PlayArte Pictures.

Mais de dois anos separam a última exibição e a reestreia, hoje. No entanto, os fãs já preveem uma exibição instável e desrespeitosa. A chamada, feita às pressas, mostra Cavaleiros às 14h15, Malcom às 15h e Que Dureza às 15h30. São tapa-buracos da programação da Band, já que não haverá jogos da Copa do Mundo, sua prioridade. As partidas voltam na sexta-feira, cancelando as séries. Em mais uma reestreia na TV, Os Cavaleiros do Zodíaco ainda é tratado como um produto qualquer.




sábado, 29 de maio de 2010

Novo "velho" domingo

Após a agitação do mercado da TV em 2009, as estratégias saturaram. Nem um ano se passou da ida de Gugu à Record e Eliana ao SBT, mas as maiores apostas das respectivas emissoras não vingaram. Tanto que um programa foi transformado em quadro de Eliana, e Gugu quebrou uma cláusula de contrato para trocar de horário. Agora, os dois se enfrentarão em mais um capítulo da acirrada disputa por audiência aos domingos.

Eliana chegou ao SBT impressionando, com picos de 15, 16 pontos no Ibope. No entanto, o programa esfriou, especialmente após os "melhores momentos" exibidos durante as férias (Eliana estreou somente em 30 de agosto, tempo relativamente curto até dezembro). Atualmente, obtém derrotas sucessivas para Ana Hickmann e seu Tudo é Possível, na Record. Para dar fôlego à audiência da atração do SBT, o programa Romance no Escuro, uma das estreias anunciadas para 2010, foi editado e transformado em quadro de Eliana, assim como o Troca de Família foi incorporado ao Tudo é Possível.

Com Gugu, a decepção é maior. O mais alto salário da TV (R$ 3 milhões mensais) perde semanalmente para Silvio Santos, do SBT, e o Pânico na TV, da RedeTV!, amargando o quarto lugar na audiência. A mudança de horário, anunciada nesta semana pela Record, parece ser bem-vinda, embora uma cláusula do contrato - de que o Programa do Gugu deveria ser exibido após às 20 horas - tivesse de ser quebrada. A Record precisa alavancar o ibope de Gugu para compensar o dinheiro pago para tirá-lo do SBT. A medida, desta vez, é transmitir o Programa do Gugu às 16 horas, antecedendo o Domingo Espetacular, uma das maiores audiências da Record no dia.

Os dois apresentadores se enfrentarão a partir deste domingo. O Programa do Gugu leva vantagem por ser ao vivo e se mantiver o game entre loiras e morenas, que é perfeito para o horário da tarde, mas já mostrou ineficácia à noite. Porém, apesar das mudanças realizadas por Record e SBT, Eliana e Gugu demonstram saturação, principalmente pelo "sangue novo" que o Pânico na TV trouxe aos domingos.

sábado, 15 de maio de 2010

Virada otaku

Parecia trio elétrico, mas em cima do carro de som não havia Ivete Sangalo nem Claudia Leitte. Veronica, vocalista da banda J~Squad, ao lado dos demais integrantes, cantou músicas-tema de animes (animações japonesas) e agitou a Parada Cosplay, no início da Virada Cultural 2010, na noite deste sábado. É a primeira vez que a cultura pop japonesa tem espaço no evento, que acontece desde 2005.

Os otakus, como são conhecidos os fanáticos pela cultura pop japonesa, seguiram o carro de som pelo centro de São Paulo. A reunião começou por volta das 18h30, na praça João Mendes. Em seguida, vieram cantando músicas das animações nipônicas. Os cosplayers, que se vestem como seus personagens de anime favoritos, viraram alvo dos fotógrafos e dos frequentadores da Virada.

Por volta das 19h, o carro parou na praça do Patriarca, e os fãs puderam tomar fôlego para cantar suas anime songs preferidas. Os cantores driblaram o frio com as músicas e a animação do público. A apresentação ficou prejudicada pelas falhas do playback (alguém riscou o CD do show!).

Às 20 horas, os otakus se reuniram com outros nerds na praça Roosevelt, no encontro denominado Dimensão Nerd. Um palco já estava montado para Veronica, Eduardo Costa e os demais integrantes da J~Squad entoarem as músicas preferidas da animada plateia. No meio do show, as bandanas de Naruto dividiram espaço com sabres de luz, e os Cavaleiros do Zodíaco se encontraram com os Cavaleiros Jedi. Fãs de anime e de Star Wars se encontraram e, por um instante, a apresentação da J~Squad foi ofuscada pela presença de Darth Vader.

A Parada Cosplay foi um aquecimento para dois eventos que acontecerão em breve: a
CosplayCon, nos dias 22 e 23 de maio, e o Anime Friends, em julho. Porém, a expectativa fica para que a cultura pop japonesa continue na próxima Virada Cultural.