Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Televisão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Quatro acertos do SBT em 2010

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2010. Aqui estão os acertos deste ano:

Silvio absoluto: Silvio Santos teve um 2010 difícil. Com o rombo do Banco PanAmericano descoberto em setembro, correu o risco de perder seu patrimônio. "Silvio Santos está pobre" ecoou na mídia e nas redes sociais. Em dezembro, deixou a segunda maior estrela do SBT, Hebe Camargo, ir para a RedeTV!. Pretextos não faltaram para que os 80 anos do maior ícone da televisão brasileira fossem comemorados com um bolo amargo. No entanto, uma linda homenagem produzida pela família de Silvio e exibida pelo SBT deixou os olhos do "patrão" marejados. E olha que ele nem gosta de festejar aniversário!

Novo sábado: Parece ironia falar em "novo" sábado e citar Raul Gil, mas é inegável a transformação do sábado do SBT em 2010: de dia praticamente morto a uma das principais fontes de audiência da emissora. Com as atrações de sempre e que o consagraram na Record e na Band, Raul Gil impressionou vencendo a Globo. Mudanças serão necessárias para 2011, já que a concorrência começou a se mexer, temendo novas derrotas.

Reprises bem-vindas: Se as novelas da Manchete não surtem mais efeito, as reprises de produções do SBT deram certo. A troca dos filmes do Cinema em Casa pela reapresentação de Pérola Negra (1998) e Esmeralda (2004) devolveu ao SBT a vice-liderança no Ibope no horário. Os futuros títulos a serem reprisados devem ser pensados com cautela para não dispersar o público, principalmente porque a Globo, incomodada, escalou para as tardes um dos maiores sucessos da década: O Clone.

Jornalismo eficaz: Para o SBT, 2010 foi o ano do jornalismo. Pode ter sido um dos motivos da queda da audiência da emissora, sem tradição no jornalismo como Globo, Record e Bandeirantes, porém a vinda de Roberto Cabrini, Marília Gabriela e a cobertura eleitoral exemplar deram credibilidade à equipe comandada por Luiz Gonzaga Mineiro. O caso da "bolinha de papel" no candidato José Serra, flagrada pelo SBT, repercutiu nacionalmente e equilibrou a cobertura parcial e partidária de Globo e Record. Denúncias de pedofilia envolvendo a Igreja Católica em Alagoas exibidas pelo Conexão Repórter chegaram ao Vaticano. O jornalismo do SBT provou, em 2010, que pode não ser "barulhento" como o da concorrência, mas é isento, apartidário e "livre de pressões", como bem disse Carlos Nascimento no editorial do último Jornal do SBT do ano.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quatro erros do SBT em 2010

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2010. Aqui estão os erros deste ano:

Desperdício de séries: Sobrenatural impressionou na audiência. Empolgado, o SBT realizou uma enquete em seu site para definir a série substituta. Os fãs de Gossip Girl votaram sem parar e o resultado foi uma série com público completamente diferente de Sobrenatural no horário, abrindo brecha para a Record contra-atacar com CSI e dar fim à estratégia, até então vitoriosa, do SBT.

Solitários sonolento: O reality show que prometia tortura e testes de resistência, pelo menos nas chamadas, não mostrou a que veio. Solitários tinha potencial, mas a produção adiantada e a edição precária determinaram o fracasso do carro-chefe da programação de verão do SBT. O que era para ser impressionante acabou virando sonolento. A segunda temporada, gravada há um ano, vai estrear na próxima quarta-feira. Erro que se repete.

Manchete morta: As reprises das novelas da Manchete definitivamente provaram sua ineficácia na programação noturna do SBT. Em um erro de estratégia após o fim do fenômeno Pantanal, em 2009, a emissora de Silvio Santos demorou para reprisar Dona Beija (e, quando o fez, foi em outro horário). O desgaste já havia se tornado realidade quando foi decidido reestrear A História de Ana Raio e Zé Trovão. Chamadas prometiam edição ágil e 150 episódios, mas a trama já passou do capítulo 170 e não elevou a audiência noturna do SBT.

Boletim de erros: O Boletim de Ocorrências, jornal policial criado às pressas por Silvio Santos para substituir as famigeradas Pegadinhas Picantes, deu certo no começo, quando tinha pouco mais de dez minutos e mantinha a audiência da série enquanto a novela da Globo não terminava. O formato começou a perder fôlego quando ganhou uma edição às 19 horas. Porém, o desespero pelo avanço da Band no horário nobre gerou uma decisão equivocada: ampliar o B.O. para competir com José Luiz Datena. O resultado não poderia ter sido pior: além da novela para definir o apresentador do telejornal (Roberto Cabrini recusou; cogitou-se a permanência de Joyce Ribeiro; Luiz Bacci chegou a ser anunciado na chamada, mas no dia seguinte assinou com a Record), o escolhido César Filho tem o perfil menos adequado para um programa policial. A audiência não correspondeu e o B.O. encerra sua atividades nesta sexta-feira.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Os Cavaleiros do Zodíaco" inédito na TV aberta


Finalmente, após 16 anos na TV brasileira, Os Cavaleiros do Zodíaco terá episódios inéditos. A Saga de Hades, produzida em 2002 e lançada no Brasil pela PlayArte (2006), estreou na manhã desta segunda-feira na Band. Mesmo disponível em DVD e tendo sido exibido pelo canal pago Cartoon Network, em 2007, faltava a televisão aberta, onde tudo começou (lá na extinta Manchete) e agora terminará.

A transmissão da Band, surpreendentemente, agradou. Ao longo do retorno de Os Cavaleiros do Zodíaco à emissora, em 30 de junho de 2010, vários erros foram cometidos durante a transmissão das três sagas clássicas. Primeiramente, começou às 14h15, com dois episódios. Os jogos da Copa do Mundo à tarde prejudicaram a transmissão, e um horário pela manhã foi concedido, dentro do programa infantil Band Kids. Porém, Cavaleiros ficou bem mais escondido às 8h, sem divulgação e com irregularidades. O primeiro episódio exibido no Band Kids foi o quinto da série ("A ressurreição do Dragão").

Com o passar dos episódios, as transmissões ganharam mais profissionalismo. A Band estipulou um padrão, com a abertura completa, retrospectiva do episódio anterior, três comerciais (um exagero, pois um deles poderia estar entre Cavaleiros e o desenho posterior, Jimmy Neutron) e sem encerramento. Aexibição da saga das 12 Casas merece aplausos, já que uma das fases mais violentas da série passou sem cortes na TV aberta, lembrando a transmissão da extinta Manchete, em 1994.

Definida a estreia da Saga de Hades para 12 de novembro, recomeçaram os tropeços. O episódio 109 ("Tome Cuidado, Ikki! Outra triste batalha mortal") cedeu espaço para o Mundial de Vôlei Feminino. Teoricamente, Hades seria adiado para o dia 15, uma ótima data, sendo segunda-feira e feriado. Todavia, a Band pulou o episódio e não o exibiu no dia seguinte. Com atraso, a Band corrigiu o engano, transmitindo o episódio 109 após o 110. Se a série não tivesse sido exibida anteriormente, geraria uma confusão revoltante.

Enfim, a Saga de Hades estreou neste 15 de novembro. Seguindo o padrão, a Band exibiu uma abertura e cortou o encerramento, mas em Hades há uma peculiaridade: duas aberturas - a exclusiva e a clássica "Pegasus Fantasy" remasterizada - e dois encerramentos. A Band optou pela abertura clássica e ainda produziu novo logotipo (inspirado em "Lost Canvas", história inédita na TV). Quatro intervalos comerciais causaram desconforto, mas no fim a emissora pegou os fãs de surpresa exibindo o preview do episódio seguinte - que já existia na série clássica, mas nunca havia sido dublado; em Hades, foi diferente.

Desde a estreia, em 1994, com o episódio "As lendas de uma nova era", até hoje, com "O início de uma nova Guerra Santa", Os Cavaleiros do Zodíaco travou batalhas na TV maiores inclusive do que as dos próprios cavaleiros protagonistas da série. Desta vez, a vitória será dos fãs.

Abaixo, a abertura e o preview exibidos pela Band, disponiblizados pelo site CavZodiaco.com.br:



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os fins sobrepujam os meios

No dia 7 de novembro, o jornalista Daniel César publicou em seu blog, TV x TV, uma crítica intitulada "Teleton e o Assistencialismo Barato", sobre a transmissão do evento que arrecada fundos para a AACD (Associação de Assistência a Criança Deficiente). A crítica rendeu comentários furiosos dos leitores. A crítica pode ser lida acessando este link: http://is.gd/gO5dH Abaixo, está a minha resposta à crítica de Daniel César:

Os fins sobrepujam os meios

A TV é, ainda, o meio mais eficaz de divulgação de uma marca, um produto ou uma ideia, por ainda ser o veículo mais democrático e mais acessível, já que quase todos os lares possuem televisores. Dessa forma, a AACD precisa da TV para divulgar seu nobre trabalho na recuperação de deficientes físicos.

Se não fosse a TV, e se a AACD não fosse lembrada ano a ano por causa do Teleton, aposto que a associação jamais conseguiria arrecadar R$ 23 milhões em duas noites. Muitas pessoas só lembram que a AACD existe uma vez por ano, porque assistem ao Teleton - por isso é fundamental levar as crianças deficientes ao palco, mostrar o tratamento dado a elas, enfim, divulgar o trabalho da AACD.

Muitas destas pessoas são fãs dos artistas que participam do Teleton. Por isso a presença desses artistas é importante. Eu diria que é um apelo midiático do bem. O Léo, da dupla Victor & Léo, falou bem sobre isso no sábado, que a causa de ajudar é maior e mais importante do que a presença dos artistas no palco (não foi com essas palavras). Mesmo que as pessoas contribuam somente porque os artistas pedem, pelo menos elas doam.

Sobre o apelo por ibope, o Teleton e o único "programa" que converte instantaneamente audiência em dinheiro. Cada doação de R$ 5 era uma pessoa assistindo (que pode ter doado mais vezes também). Programas de TV precisam de audiência para mostrar os altos índices do Ibope ao mercado publicitário e, assim, faturar. Contudo, no Teleton, a única instituição que "fatura" é a AACD, diferenciando-se, assim, do mencionado Programa do Gugu.

Acho muito válido ter uma opinião contundente sobre o Teleton, Daniel. Ainda mais nessa sociedade hipócrita, que liga para o Teleton e discrimina os deficientes físicos nos outros 364 dias do ano. Porém, não tratando o evento como um mero show sensacionalista. A TV, em sua característica fundamental, é show. Para chamar o público, o show é um dos meios mais eficazes. E o Teleton deve continuar assim, porque seu motivo é nobre.

Sabe aquela frase do pensador Maquiavel, "Os fins justificam os meios"? No Teleton, esta frase ganha novo sentido: "Os fins sobrepujam os meios".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Chaves no Cartoon Network: Independência

Não, este post não é sobre a eleição de Dilma Rousseff como a primeira presidente do Brasil. Hoje, o canal pago Cartoon Network começou a exibir o seriado Chaves, às 9h30, com episódios inéditos. O fato surpreendeu os fãs, incendiou os fóruns da internet e deixou o gosto de surpresa para logo mais, às 20h30, quando será exibido Chapolin. Abaixo, meu comentário em um desses fóruns:

Pelo menos para nós, fãs brasileiros, o dia 1º de novembro de 2010 é o Dia da Independência do SBT. Conhecemos El Chavo del 8 graças ao SBT, retribuimos com audiência, e essa relação se mantém há 26 anos.

Mas nós, fãs brasileiros, nos informamos pela internet e descobrimos um incontável número de episódios que o SBT não exibe, seja por capricho, seja porque não os comprou mesmo. Desde então, passamos a criticar o SBT por cortar um episódio aqui, editar outro ali, cancelar outro acolá. E o SBT, responsável inclusive pela existência do fã-clube e deste fórum, passou a ser nosso alvo.

Há algum tempo, já estamos acostumados a assistir a CH por outros meios: Repretel (canal da Costa Rica, certo? Já vi uma vez e boa parte da coleção de episódios de alguns fãs veio da Repretel), TLN e agora Cartoon Network. Este último um canal de maior alcance, embora seja pago. Sempre detestei TV paga, por ser paga (e por não tê-la em casa também). É muito restrita, sempre foi associada à elite que pode pagar, e nunca gostei disso. Mas cada vez mais brasileiros estão tendo acesso aos pacotes econômicos da NET, SKY e similares e, assim, podem ver CH no Cartoon Network, canal com muito mais visibilidade do que o TLN, da Televisa. O SBT, a partir de hoje, perdeu sua importância no meio CH, virando uma alternativa secundária para assistir às séries.

Ironicamente, a partir da exibição de hoje, notei que a TV aberta é mais fechada do que a própria TV por assinatura. As emissoras tentam padronizar o conteúdo importado que exibem ao grande público. Podem ver na abertura editada dos Simpsons, na Globo. Chaves, Chapolin e Chespirito sofreram com este padrão. Às vezes, o feitiço vira contra o feiticeiro, como a tradução da saga de Acapulco, que virou Guarujá, e mesmo assim todos falam Acapulco.

O exemplo acima é consequência de outra burrada: comprar o primeiro episódio da saga separado dos outros dois. Isso faz lembrar uma coisa: estamos independentes do SBT, mas quem está acima de SBT, TLN e Cartoon Network é a própria Televisa. Grande parte das imperfeições do SBT quanto a Chaves é culpa da Televisa. As outras burradas são culpa desse padrão que o SBT, como canal aberto, tenta imprimir a seu público.

Enfim, 26 anos depois, chegamos à conclusão - óbvia - de que Chespirito é maior que o SBT. Falta o mundo descobrir que Chespirito é maior que a Televisa.


Abaixo, a primeira exibição de Chaves pelo Cartoon Network:








sábado, 18 de setembro de 2010

O futuro já começou

O título condiz com o tema deste texto, sobre o aniversário da TV brasileira. Conhecido verso da música de final de ano da maior emissora do Brasil, "O futuro já começou" também representa o atual estágio da nossa televisão. Entre a resistente velha guarda, há jovens que mantêm a "fábrica de sonhos" funcionando.

Parece que o tempo não passou para a TV brasileira. Na Globo, a nova novela das seis, Araguaia, terá no elenco Lima Duarte, Regina Duarte e Laura Cardoso. A novela das sete voltou 25 anos para resgatar o sucesso de Ti-ti-ti. O SBT é a maior prova do passado no presente: Manoel da Nóbrega criou A Praça da Alegria em 1957, e seu filho, Carlos Alberto, manteve a ideia em A Praça é Nossa. Sem contar os ícones: Raul Gil, Hebe Camargo e o mestre Silvio Santos, que sustenta a audiência de sua emissora com reprises - das câmeras escondidas dos anos 1990 às novelas da extinta Rede Manchete, passando pelo mexicano Chaves, há 26 anos no ar.

Apesar disso, a renovação da TV já começou há mais de vinte anos e está se aproximando do ápice. Silvio Santos já tinha consciência de sua finitude quando anunciou a aposentadoria, em 1988, deixando os domingos sob a responsabilidade do pupilo Gugu Liberato - o que não ocorreu. A Globo já sabia que deveria ter um substituto para Chacrinha, um velho guerreiro em fase terminal. Fausto Silva preencheu a lacuna parcialmente: sua língua - o que que mais o aproximava de Abelardo Barbosa - foi polida. E o gordo desbocado do Perdidos na Noite virou o Faustão, em 1989. Hoje, o destino dos programas de auditório está nas mãos de Celso Portiolli (SBT), Luciano Huck (Globo) e Rodrigo Faro (Record).

Em 1990, veio a MTV Brasil e um novo conceito: a segmentação. A TV por assinatura, ascendente mas ainda tímida nas classes mais baixas, impulsionou essa transformação. Canais destinados à mulher, à criança, à música, ao cinema, ao jornalismo. Com o controle remoto, o telespectador aprendeu a escolher. A primeira década do século XXI termina com as emissoras tentando adivinhar o que atrai audiência certa.

Tal poder de decisão definirá os rumos da TV nos próximos anos. Com o público cada vez mais longe de casa, o televisor terá mais importância como artigo decorativo, mas a televisão continuará existindo: na internet, no celular. O televisor será mais móvel como nunca. A alternativa para escapar da concorrência com outras mídias é unir-se a elas.

E o conteúdo? Prognóstico mais certo é o da continuação da hegemonia da Globo. Mas o futuro das emissoras restantes é incerto. O SBT não sabe como irá se comportar quando Silvio Santos inevitavelmente parar. A Record ainda tem dificuldade para andar com as próprias pernas - e abandonar as duas muletas: Igreja Universal e cópia do Padrão Globo de Qualidade. A RedeTV!, caçula dos canais VHF, investe em tecnologia o que não investe em excelência na programação. À Band falta a mesma ousadia com a que apresenta no jornalismo.
As maiores transformações de fato acontecerão quando as gerações seguintes assumirem o controle das emissoras. A atuação dos herdeiros dos Marinho, dos Abravanel e dos Saad definirá se a TV realmente entrará em nova fase. Mas o público - felizmente - tem mais opções para se informar e se entreter. Quando quiser. Onde quiser. A TV já moldou o brasileiro. Chegou a vez de o brasileiro moldar a TV. O futuro já começou.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Debate ou bola?


Daqui a pouco, às 22 horas, o primeiro debate presidencial será exibido pela Band. No mesmo horário, o time do São Paulo joga contra o Internacional pela Taça Libertadores da América. A infeliz coincidência prejudica a democracia.

Para evitar que o segundo jogo da semifinal da Libertadores coincidisse com a final da Copa do Brasil, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmembol), a pedido da Rede Globo, adiou a partida em um dia. Assim, a emissora carioca poderia transmitir os dois jogos decisivos, e a Band não exibiria com exclusividade Vitória x Santos. Foi o que aconteceu ontem.

A alteração da data do jogo entre São Paulo e Internacional parece ter sido ignorada ou esquecida pela Band, que marcou o primeiro debate entre candidatos à presidência na mesma noite. A primeira vez em que Dilma Rousseff e José Serra se enfrentarão na televisão será ofuscada pela semifinal que a Globo transmitirá com exclusividade em TV aberta.

Como se não bastasse, o local do debate – a sede da TV Bandeirantes – e o do jogo – o estádio Cícero Pompeu de Toledo – ficam no mesmo local, o bairro do Morumbi (zona oeste de SP) a poucos quilômetros de distância um do outro.

Estranha o fato de que a Band é conhecida pelos debates e pela cobertura esportiva. No entanto, optou por não mudar a data do debate, já que os candidatos – especialmente Dilma Rousseff – cancelou a ida a vários eventos semelhantes por problemas na agenda.

No entanto, o maior prejudicado é o eleitor, que perderá a chance de acompanhar as propostas de Dilma, Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio. A Band, que se orgulha de sua tradição de debates, marcou um gol contra em seu primeiro ato nesta cobertura eleitoral.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Luto por Gibe


Faleceu na manhã desta sexta-feira Gilberto Fernandes, o Gibe, um dos maiores humoristas do Brasil. Intérprete do Papai Papudo, personagem do Bozo (SBT) e ator de câmeras escondidas ao lado de Ivo Holanda, Gibe ficou sumido por uns tempos da TV. Encerrou sua carreira como redator para os programas de Renato Aragão, o Didi (Rede Globo).

Uma de suas últimas aparições públicas foi na festa organizada pela cantora Marly Marley para ajudar o ator e humorista Viana Júnior, que interpretava o personagem Apolônio - conhecido por se irritar com a Velha Surda (Rony Rios, morto em 2001) em A Praça é Nossa (SBT). O show foi realizado no Teatro Gazeta (SP) em 19 de maio. Infelizmente, Viana veio a falecer em 7 de junho.

Tive a felicidade de encontrar-me com Gibe e Ivo Holanda no Teatro Gazeta. Gibe queria ter o entusiasmo de seu amigo, queria voltar a atuar em câmeras escondidas, mas já estava debilitado do sistema circulátório. Além disso, sentia dores nos pulmões e tinha dificuldade para andar.

Gibe nem viu o show promovido por Marly Marley, só quis ver os amigos. Parecia uma despedida anunciada. E foi. Mas ele será sempre lembrado: em uma câmera escondida postada no YouTube ou reprisada no Programa Silvio Santos. Ou quando, em um encontro de amigos, se alguém perguntar as horas outro gritar: "São 5 e 60".

Muito obrigado, Gibe.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Subitamente

Sem Copa, Band decide de última hora que exibirá Os Cavaleiros do Zodíaco

O maior sucesso da animação japonesa no Brasil finalmente retorna à TV. Porém, Os Cavaleiros do Zodíaco, que virou febre em meados dos anos 90, volta nesta tarde para a Band de forma repentina, sem alarde e com publicidade deficiente, e será exibido nos dias em que não haverá jogos da Copa do Mundo.

A notícia pegou de surpresa até mesmo o site CavZodiaco.com.br, o site sobre animes mais acessado no Brasil e parceira de praticamente todos os projetos relacionados a Os Cavaleiros do Zodíaco. Ontem, foi publicada a nota de que a série seria exibida na manhã de hoje, 30 de junho, dentro do programa Band Kids. Mais tarde, a informação foi corrigida: o dia permanece o mesmo, mas o horário mudou para 14h15. A estreia aconteceria em maio, mas fora adiada pela Copa do Mundo.

Mais irritante do que a troca para o horário de programação local – só passará para a Grande São Paulo – é o caráter súbito da informação. A Band demonstra, assim, total descaso com o produto que impulsionou uma geração de fãs nos anos 90. Os Cavaleiros do Zodíaco estreou em 1º de setembro de 1994 na extinta TV Manchete. Por lá ficou até 12 de setembro de 1997, após três anos de sucesso, ter ganhado da Globo no Ibope e vendido mais de 500 mil bonecos dos personagens da série – o principal objetivo da Samtoy, empresa espanhola de brinquedos que trouxera Cavaleiros, tardiamente, para o Brasil.

Após um hiato de seis anos, Cavaleiros voltou a ser pauta de revistas e dos primeiros sites especializados. Mas a censura barrou a exibição do anime nas manhãs da Rede Globo, que desistiu da compra e deixou o caminho aberto para a Band. Antes de voltar à TV aberta, o anime foi redublado – a versão do estúdio Gota Mágica foi extraviada; na Álamo, alguns erros que vieram da dublagem espanhola foram corrigidos – e estreou no canal fechado Cartoon Network exatamente nove anos depois da Manchete: 1º de setembro de 2003.

Até a exibição da Band, em 5 de julho de 2004, a venda dos bonecos aguçaram a nostalgia dos adolescentes, fãs da série quando eram crianças, e a curiosidade de uma nova geração já acostumada a animações japonesas como Pokémon e Dragon Ball Z. Quando Cavaleiros finalmente reestreou na TV aberta, veio a decepção: com a apresentação sofrida da cantora Kelly Key, a Band precisou cortar de dois a três minutos na história, além dos trechos violentos, para encaixar dois episódios das 17h30 às 18h15. A Band ficou satisfeita com os incríveis números de audiência; já o apresentador Datena não gostou de ter perdido metade do horário.

Este foi só o início da difícil temporada de Cavaleiros na Band. A estreia das sagas de Asgard e Poseidon aconteceu às 12h30 de 4 de abril de 2005, horário restrito à Grande São Paulo. Isso sem falar da estúpida ideia de cortar episódios da terceira reprise da saga do Santuário, às 17h30, para o último episódio ser exibido na sexta-feira e o primeiro de Asgard, na segunda-feira.

Gradativamente, Cavaleiros ia deixando a Band – exceto como tapa-buraco na programação – para ser exibido na Rede 21, canal do mesmo grupo, a partir de 22 de agosto de 2005. Em 2007, com o vencimento do contrato da saga do Santuário, as sagas de Asgard e Poseidon foram reprisadas exaustivamente. Após mais de dez transmissões sucessivas, Cavaleiros encerrou suas atividades no início de 2008, com o último episódio da saga de Asgard. Desde então, o anime teve exibição em canais menores, como a Rede Brasil (canal 59 UHF SP), mas por meio de reprodução dos DVDs lançados pela PlayArte Pictures.

Mais de dois anos separam a última exibição e a reestreia, hoje. No entanto, os fãs já preveem uma exibição instável e desrespeitosa. A chamada, feita às pressas, mostra Cavaleiros às 14h15, Malcom às 15h e Que Dureza às 15h30. São tapa-buracos da programação da Band, já que não haverá jogos da Copa do Mundo, sua prioridade. As partidas voltam na sexta-feira, cancelando as séries. Em mais uma reestreia na TV, Os Cavaleiros do Zodíaco ainda é tratado como um produto qualquer.




sábado, 29 de maio de 2010

Novo "velho" domingo

Após a agitação do mercado da TV em 2009, as estratégias saturaram. Nem um ano se passou da ida de Gugu à Record e Eliana ao SBT, mas as maiores apostas das respectivas emissoras não vingaram. Tanto que um programa foi transformado em quadro de Eliana, e Gugu quebrou uma cláusula de contrato para trocar de horário. Agora, os dois se enfrentarão em mais um capítulo da acirrada disputa por audiência aos domingos.

Eliana chegou ao SBT impressionando, com picos de 15, 16 pontos no Ibope. No entanto, o programa esfriou, especialmente após os "melhores momentos" exibidos durante as férias (Eliana estreou somente em 30 de agosto, tempo relativamente curto até dezembro). Atualmente, obtém derrotas sucessivas para Ana Hickmann e seu Tudo é Possível, na Record. Para dar fôlego à audiência da atração do SBT, o programa Romance no Escuro, uma das estreias anunciadas para 2010, foi editado e transformado em quadro de Eliana, assim como o Troca de Família foi incorporado ao Tudo é Possível.

Com Gugu, a decepção é maior. O mais alto salário da TV (R$ 3 milhões mensais) perde semanalmente para Silvio Santos, do SBT, e o Pânico na TV, da RedeTV!, amargando o quarto lugar na audiência. A mudança de horário, anunciada nesta semana pela Record, parece ser bem-vinda, embora uma cláusula do contrato - de que o Programa do Gugu deveria ser exibido após às 20 horas - tivesse de ser quebrada. A Record precisa alavancar o ibope de Gugu para compensar o dinheiro pago para tirá-lo do SBT. A medida, desta vez, é transmitir o Programa do Gugu às 16 horas, antecedendo o Domingo Espetacular, uma das maiores audiências da Record no dia.

Os dois apresentadores se enfrentarão a partir deste domingo. O Programa do Gugu leva vantagem por ser ao vivo e se mantiver o game entre loiras e morenas, que é perfeito para o horário da tarde, mas já mostrou ineficácia à noite. Porém, apesar das mudanças realizadas por Record e SBT, Eliana e Gugu demonstram saturação, principalmente pelo "sangue novo" que o Pânico na TV trouxe aos domingos.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A "galera" mais feliz do Brasil

ATENÇÃO: ESTE TEXTO, SOBRE OS BASTIDORES DO PROGRAMA 1 CONTRA 100, CONTÉM SPOILERS (INFORMAÇÕES SOBRE O ENREDO). CASO QUEIRA MANTER A EXPECTATIVA PARA A EXIBIÇÃO DO PROGRAMA, NÃO LEIA.

Neste domingo, a produtora Casablanca gravou três edições do programa 1 contra 100. Pode ser um fato comum para Roberto Justus, o apresentador, e Paulo Franco, o diretor. Mas, para mim, Paulo Pacheco, uma das gravações foi especial. Porque teve minha participação.

Quando soube, através do Twitter, que a produção do programa estava à procura de fãs do SBT para participarem do 1 contra 100 especial "SBTistas" (fanáticos pela emissora), não me contive e enviei meus dados instantaneamente. Na segunda-feira, dia 1º, soube que tinha sido selecionado. Após a informação, organizei minha rotina para que nada desse errado.

Logo começaram os empecilhos. As restrições quanto ao vestuário eliminaram todas as peças de meu guarda-roupa. Sendo assim, tive de aderir ao "pretinho básico" e comprei uma camisa às pressas.

Hoje, às 13 horas, uma fila de jovens fãs do SBT aguardando a gravação do programa (era a segunda) se formou na produtora. Andando pela fila, percebia-se conversas distintas: de "como foi a audiência ontem?" a "você se lembra em que dia estreou tal programa?", mas todas versavam sobre "a TV mais feliz do Brasil". Tentei entrar em alguns grupos por meio do humor, rindo de emissoras concorrentes e realizando minha divertida, porém infame, imitação do Silvio Santos. Muitos gostaram, para meu alívio. Alguns participantes eram simplesmente ilustrativos, apenas preenchiam espaços vagos no estúdio. Realizamos, pois, um "intensivão" sobre o SBT para os "figurantes" não darem vexame.

Durante a permanência na fila, assinei os termos de responsabilidade. Após entregar o contrato, entreguei as cópias dos documentos solicitados (RG, CPF e comprovante de endereço) e recebi o delicioso lanche oferecido pelo SBT: meia baguete de queijo sabor peru, bombom Sonho de Valsa e um suco de caixinha sabor pêssego. Devorei-o após a maquiagem - sim, fomos maquiados! Celulares e câmeras tiveram suas baterias retiradas, eliminando qualquer possibilidade de registro do programa. A plateia - a mesma de outras gravações - pôde nos fotografar, assim como o profissional contratado pelo SBT.

Recebi uma fita de identificação e um adesivo com meu número: 74. "Será que vou aparecer muito?" Não pensei nisso com intenção de me exibir demasiado no programa. Ao contrário, queria me esquivar ao máximo das câmeras. Os mais filmados ocupam os lugares próximos ao posto de Roberto Justus e do convidado ou ao telão do cenário. Graças à lei de Murphy, a cabine 74 preenchia este requisito. Pelo menos estava maquiado!

Antes do especial com "SBTistas", o produtor nos aqueceu. Perguntava a toda hora se era "a grana ou a galera". Fiquei rouco de tanto gritar "a galeraaaaaa! Vem! Vem! Vem!". Em seguida, veio Justus para gravar um comercial. Impaciente, recusou-se a repetir pela quarta vez a gravação e pedia para a produtora secar seu rosto suado.

Enfim, a gravação começou. Três horas depois de chegarmos à Casablanca. Os convidados especiais - Liminha e Patrícia Salvador - ocuparam seus postos. Na plateia, outra ilustre convidada: Daniela Beyruti, diretora-geral do SBT e musa dos "SBTistas". A primeira convidada, Christina Rocha, abusou da irreverência, sua característica mais marcante.

Caí na pegadinha da primeira pergunta. Minha saída precoce do programa foi compensada pelo momento mais emocionante de minha relação com o SBT. Roberto Justus, ao ver que Patrícia Salvador tinha errado a questão, quis fazer graça, e perguntou quem sabia imitar o Silvio Santos. Imediatamente vi dedos indicadores apontados para o número 74. Era a minha fama nos bastidores! Repeti duas vezes, pois a câmera não havia me localizado. Descontraído, porém tímido, imitei o dono do Baú e fui aplaudido. Emoção indescritível!

Mesmo desclassificado, continuei a responder às perguntas. O aparelho embutido à cabine tem números e uma tecla "C", que não funcionavam. Os botões que interessavam eram os correspondentes às letras das alternativas ("A", "B" e "C"). Tínhamos dez segundos para responder à questão, e isso deve ser feito com muita calma. Alguns afobados apertaram o botão antes da luz vermelha piscar no aparelho, e foram eliminados. Outros, nervosos, responderam após o tempo estipulado. No visor aparece o nome do programa, uma contagem regressiva de dez segundos e o número do RG de cada um, inclusive o dos convidados. Conferi a informação vendo o visor do aparelho do Liminha, que ocupou o lugar 72, bem próximo a mim.

Decepcionei-me com minha saída precoce da competição. Estava acertando todas as questões subsequentes. Contudo, senti-me aliviado quando respondi - mesmo sem valer nada - a uma pergunta relacionada ao programa Domingo no Parque. Chutei, errei e pensei: "Puxa, eu iria sair de qualquer maneira".

O participante seguinte era o carismático e inteligente Moacyr Franco. Àquela altura, estava apreensivo. Além de temer o desempenho do convidado, minha bexiga começava a encher rapidamente. Disfarcei a vontade de ir ao banheiro com pulos e muita agitação. Por sorte, as perguntas eram fáceis. Aprovei minha performance nessa parte do jogo.

Na saída, corri até o banheiro, mas parei pela vontade de tirar uma fotografia com Patrícia Salvador. Minutos depois, foi a vez do encontro com Daniela Beyruti (foto - tremida, infelizmente - ao lado). ela, que estava tranquila junto à plateia, foi convidada a se juntar à "galera". Ela topou, e ocupou o lugar de uma moça que tinha ido ao banheiro. "SBTistas" que estavam na entrada da produtora avistaram sua musa. Fotos, beijos e abraços. A filha "número 3" de Silvio Santos sentiu na pele as consequências da fama, ainda sentidas pelo pai.
O dia 7 de fevereiro foi o dia da glória dos jovens que participaram do 1 contra 100. Para Justus, Franco e a produção do programa, mais uma gravação. Para os "SBTistas", a oportunidade de fazer parte da história do SBT e de conhecer os ídolos.

O 1 contra 100 especial com "SBTistas" irá ao ar, provavelmente, entre o fim de março e o início de abril de 2010, segundo o diretor Paulo Franco.

ATUALIZADO: O 1 contra 100 especial com "SBTistas" irá ao ar dia 14 de abril, a partir das 23h, de acordo com o diretor do programa, Paulo Franco.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quatro acertos do SBT em 2009

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2009. Aqui estão os acertos deste ano:

SBT onipresente: Em 2009, o SBT investiu pesadamente em propaganda. Anúncios em jornais e revistas, na TV Minuto, transmitida dentro dos trens do Metrô de São Paulo, e a inserção no mundo virtual constituíram fatores fundamentais para a reviravolta da emissora. Em agosto, o slogan "A TV mais feliz do Brasil" vinha acompanhado das estrelas da casa em outros corpos. Só dessa forma pôde-se ver Silvio Santos sem camisa e Roberto Justus dançando break. A rede social Twitter foi amplamente utilizada pelos funcionários do SBT, e os "SBTistas" são os fãs mais ativos, quando comparados aos de outras emissoras.

Séries "Pantanal": Em uma surpreendente estra
tégia, o SBT deslocou o telejornal SBT Brasil para às 19h30 e ocupou o horário com séries. Arriscado, já que o público da TV aberta não está acostumado a assistir aos produtos da TV paga? Pode até ser. Mas o risco deu certo, e hoje a emissora obtém excelentes resultados às 21 horas. Em setembro, Harper's Island - O Mistério da Ilha mostrou a que veio e dobrou a audiência na faixa de exibição. Seus treze episódios foram transmitidos diariamente, como uma novela. Exatamente a intenção da emissora: dar uma opção a quem não assiste às novelas da Globo e da Record. A meta era de cinco pontos. A audiência média foi de oito. O sucesso seguinte, Sobrenatural (foto abaixo), confirmou a preferência do público. Na última quarta-feira (dia 16), a série obteve 12 pontos de média. Índices semelhantes aos de Pantanal, se considerar a concorrência com a trama das nove da Globo. Além disso, prejudicou as duas esperanças da Record: Bela, a Feia e A Fazenda perdem diariamente para o SBT, que se saiu muito bem sendo a "alternativa".

O domingo mais feliz do Brasil:
Gugu foi embora. Em compensação, Eliana voltou à casa que a projetou, e Celso Portiolli recebeu seu maior presente: o Domingo Legal. Junto de Maisa, nas manhãs, e Silvio Santos, à noite, o domingo do SBT cresceu não apenas em audiência, mas também em felicidade. Na parte mais "triste", Celso visita a família de "Construindo um Sonho" fantasiado, dando mais irreverência ao quadro antes sofrido nas mãos de Augusto Liberato. Eliana trouxe um Tudo é Possível - seu antigo programa na Record - incrementado, e chegou a vencer a Globo nas primeiras semanas. Apesar de não ter mexido nas atrações de seu tradicional programa, Silvio Santos enfrenta corajosamente a cada vez mais competitiva "guerra pelo ibope". Quatro emissoras lutam pelo primeiro lugar, e o mestre da comunicação incomoda a concorrência em torno das 20 horas e após às 23 horas. Para um programa quase cinquentão, é uma vitória frente às "inovações" da concorrência. Mas, para se firmar na disputa, Silvio precisa se atualizar.

A consolidação do SBT Show: O SBT Show, que começou em 2008 como uma alternativa aos telejornais da Globo e da Record, ganhou força em 2009. Você se Lembra?, Esquadrão da Moda, Qual é o Seu Talento? (foto abaixo), Nada Além da Verdade e TV Animal chegam a incomodar a concorrência e inclusive a derrotá-la. Para não provocar desgaste nos formatos, o horário foi ocupado por diferentes programas durante o ano. Alguns form mal-sucedidos, como o reality Só Falta Esposa, às quintas-feiras. Outros, como o 10 Anos + Jovem, às sextas, deixou saudade. Esquadrão da Moda e Qual é o Seu Talento? configuram os destaques da faixa de shows do SBT.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Quatro erros do SBT em 2009

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2009. Aqui estão os erros deste ano:

Apelação em horário nobre: Uma estratégia de mestre recuperou a audiência noturna do SBT. Mas o espírito do "velho" SBT - que não tinha escrúpulos para aumentar o ibope - ainda resiste. Prova disso foi a exibição de Pegadinhas Picantes (foto ao lado) às 22 horas. Gravado no Leste Europeu, o programa, que estreou em 14 de setembro, causa risos pela nudez inesperada das atrizes. Mas a alegria esconde o desconforto em ver pornografia em horário inadequado - apesar de a classificação indicativa ser 14 anos. Já que o SBT gostaria de manter a boa audiência das séries das 21 horas com humor, poderia ter trazido de volta o Câmera Café - transmitido em 2007 antes e após os telejornais da emissora. Comédia bem feita e sem apelação.

Roberto Justus, o "animador": Foi precipitada a investida de Roberto Justus em um game show. O 1 contra 100 (foto ao lado), que estreou em 16 de setembro, é uma atração com a cara do SBT, emissora craque em programas de entretenimento. Todavia, ter deixado Justus, conhecido nacionalmente como o irredutível chefe de O Aprendiz - reality show apresentado por ele durante seis anos na Record -, no comando foi uma atitude infeliz. Sem menosprezar o talento de Justus, mas o público se assustou ao ver a mudança brusca de feição dele. Talvez isso tenha deixado transparecer a incipiente tentativa do apresentador em sair do estigma de mal-humorado. Um reality envolvendo o mundo empresarial, porém mais dinâmico - como promete o O Grande Desafio, que estreará em 2010 - deveria ter sido a estreia de Justus no SBT.

Desperdício de novelas:
Como se o fracasso de Revelação não tivesse bastado, o SBT insistiu no erro e escalou outra novela de Íris Abravanel para o horário das 22 horas. Vende-se um Véu de Noiva (foto ao lado) manteve um público fiel, mas não sai dos cinco pontos de audiência. Um dos motivos pode ter sido o excesso de externas, que deixou a novela "iluminada" demais, adequada para um folhetim exibido às 19 horas, mas não às 22 horas, fato que prejudicou a fotografia. Contudo, partindo para o campo estratégico, Vende-se um Véu de Noiva herdou um horário antes ocupado pelo boom de Pantanal. Após o término da trama da extinta Manchete, Revelação ficou sozinha no horário. E pior: pensando que alavancaria o ibope da novela de Íris, estreou a nova "arma secreta" da Manchete, Dona Beija (foto abaixo) - quando todos pensavam que seria A História de Ana Raio e Zé Trovão -, após Revelação, às 23 horas. Está certo que a história protagonizada por Maitê Proença dobrou a audiência no horário (de míseros dois pontos para quatro), fato que nada significava para quem esperava um sucesso semelhante ao de Pantanal. Na soma dos prejuízos, três novelas desperdiçadas: Dona Beija - exibida em horário ingrato -, A História de Ana Raio e Zé Trovão - que permanecerá na "geladeira" da emissora em virtude do fraco desempenho das reprises da Manchete -, e Véu de Noiva, texto de Janete Clair (1925-1983) - a maior novelista brasileira.

SBT Manhã, SBT Manhã e SBT Manhã: Não é ilusão. Quando o teles
pectador liga a TV às 4 horas, assiste ao Jornal do SBT Manhã (foto abaixo, de 2008). Às 5 horas, o mesmo jornal é reapresentado. Às 6 horas, surpresa: nova reprise. Deve-se ressaltar o fato de que "só" havia duas apresentações - às 5 e às 6 horas -, mas a partir de 9 de novembro resolveu-se reprisar novamente. Pode ser útil para quem estiver acordando, mas três horas com o mesmo noticiário dos outros telejornais do SBT e com a aparição dos âncoras gravada é um retrocesso para uma emissora que vem investindo pesadamente no jornalismo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A nova Record: do auge ao declínio

A Record completou no último domingo (dia 27) 56 anos. Desde 2004, a emissora investiu pesado em produtos de qualidade, que trouxe novo ânimo à emissora. Atualmente, porém, a teledramaturgia e o jornalismo parecem estar em crise.

Em 2004, após o fiasco Metamorphoses, a emissora parece ter aprendido com o erro e estreou uma versão de A Escrava Isaura, que incomodou o SBT em virtude do grande sucesso. Após uma leve queda na audiência com Essas Mulheres, a Record chegou ao topo com Prova de Amor. Tiago Santiago, o mesmo autor do remake da novela de 1976, ganhou status de grande autor por ter conseguido ultrapassar o Jornal Nacional, da Rede Globo.

A coisa começou a desandar já em Prova de Amor, quando Santiago esticou a novela por uns pontinhos no Ibope. Em 2007, Caminhos do Coração perdeu-se na história, obrigando Santiago a encerrar a trama principal e iniciar uma só com os mutantes, seres feitos no computador com qualidade duvidosa, que elevavam a audiência. Os Mutantes - Caminhos do coração conquistou os adolescentes, mas não conseguiu segurar o público habitual das novelas da Record. A audiência da saga final - Promessas de Amor - também ficou aquém da esperada.

Em 2009, a Record patina nas duas telenovelas que exibe. Poder Paralelo deu sinais de melhora; já Bela, a Feia, primeira de muitas que virão da parceria com a emissora mexicana Televisa, perdeu o segundo lugar para o SBT Show e para a série Harper's Island - O Mistério da Ilha.

O jornalismo da Record, que também recebeu maciço investimento, sofre seus revezes em 2009. O Jornal da Record perdeu audiência com Ana Paula Padrão, contratada somente para ancorar o noticiário. O Esporte Fantástico ainda não emplacou, tendo seu horário de exibição alterado constantemente.

A Record News, emissora inaugurada em 27 de setembro de 2007 e que substituiu a Rede Mulher no canal 42 UHF (SP) e primeiro canal aberto de jornalismo em tempo integral, já não faz jus ao slogan: o "jornalismo 24 horas de plantão" vendeu horários da grade para programas independentes e até para a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). A mais recente investida, o portal R7, foi anunciada com alarde. No entanto, a "inovação" não passou (novamente) de imitação da Globo.

A subida assustadora da Record na segunda metade da década parece ter arrefecido. Os formatos de teledramaturgia e do jornalismo (méras cópias da emissora líder)
mostram desgaste. É cada vez mais comum ver, em atrações de baixa qualidade, a busca pela audiência perdida nos investimentos milionários. O telespectador espera que a ambição por ibope não atrapalhe a qualidade que a emissora imprimiu em sua programação desde 2004.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As razões do fracasso de "1 contra 100"

Recém-estreado no SBT, 1 contra 100 é um game show empolgante, em que um jogador precisa de raciocínio ligeiro para responder a perguntas difíceis, além de eliminar outros cem competidores, e faturar R$ 1 milhão. No entanto, as duas primeiras semanas obtiveram índices insatisfatórios de audiência. A culpa pelo fracasso está no horário de exibição e na desenvoltura do apresentador, Roberto Justus.

1 contra 100 passa às 22h30 das quartas-feiras, após a novela Vende-se um Véu de Noiva, que apresenta péssimos índices no Ibope. No horário, a Globo transmite o Campeonato Brasileiro; a Record, o reality show musical Ídolos, ambos com público cativo. Tais adversidades prejudicaram a estreia do SBT. A novela não consegue trazer a audiência das outras emissoras. O game show amargou o quarto lugar nesta quarta-feira (dia 23), perdendo até para a Band, que transmitia a mesma partida da Globo.

Além da concorrência no horário, a própria emissora errou ao entregar 1 contra 100 a Roberto Justus. O SBT anunciara com intensidade a nova contratação, tirada da rival direta, a Record. Seriedade e contundência, características do empresário em O Aprendiz – reality show em que atuou durante seis anos na antiga emissora – destoam da tentativa frustrada de virar animador de TV. Falta para Justus o fundamental para todo animador: talento.

A falsa impressão de bom apresentador que Justus imprime não convence os telespectadores. Mostra-se, pois, inútil a estratégia da emissora de exibir a atração quase simultaneamente ao “Show do Intervalo”, da Globo, já que a esperada migração do público do futebol não acontece. O SBT, tradicional no ramo de entretenimento e dos programas de auditório, possui animadores experientes para substituir Justus: de Celso Portiolli, apresentador do Domingo Legal, ao mestre Silvio Santos, que já fez seis milionários em diversas atrações.

Justus encobriu a tão prometida "versatilidade" logo na estreia. O game show de sucesso em mais de 30 países ainda não encontrou seu ritmo no Brasil, fato no mínimo espantoso, pois programas similares, que transformam pessoas comuns em milionárias, aparecem constantemente nas principais emissoras. Enquanto continuar sendo exibido junto do fiasco Vende-se um Véu de Noiva e apresentado pelo incipiente animador Roberto Justus, a falta de cadência perdurará nas próximas edições de 1 contra 100.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pânico da concorrência

Com seis anos de RedeTV!, o Pânico na TV chegou, recentemente, à liderança no Ibope na disputada guerra pela audiência os domingos. O último programa (dia 20) venceu a Rede Globo (15,4 X 13,9) entre 23h09 e 23h21. Para tentar desvendar o sucesso do humorístico, o Letras Escapadas conversou com alguns integrantes nesta segunda-feira (dia 22), durante o lançamento do livro Ninguém Faz Sucesso Sozinho, de A. A. A. de Carvalho, o Tuta, dono da rádio Jovem Pan.

O Pânico começou em 1993, na Jovem Pan. Segundo Marcos Chiesa, o Bola, que entrou para a equipe pouco tempo após a estreia, a direção da rádio jamais deixou de apoiar o humorístico. "O Pânico tinha três meses quando eu entrei. O Tuta aprova o programa, sempre gostou, nunca tivemos problemas com ele."

Atualmente na Rede Record, Carlos Alberto da Silva, o Mendigo, guarda boas recordações do início da carreira na rádio. "Comecei na Jovem Pan em 1994, como office-boy, e entrei no Pânico em 1999. Eles [o Tuta e seu filho, Tutinha, idealizador do Pânico] sempre apostaram muito no humor, sempre deram espaço pra gente fazer humor".

Além de ter conquistado a fidelidade da audiência na rádio, o Pânico mantém um público ativo na TV, estabilizando os índices de audiência, mesmo com a concorrência das outras emissoras. "[O Pânico na TV] criou um público novo. Tinha gente que não conhecia [o programa da rádio]", acrescenta Bola.

Emílio Surita, único integrante desde a estreia na rádio, acredita que a vitória obtida no último domingo não foi apenas por mérito do programa. “Não foi muito bem, sempre dá essa audiência, é a Globo que está mal. A Globo está com uma audiência baixa e a gente ficou em primeiro lugar."

Por um instante, o sucesso do Pânico pareceu estar ameaçado. No final de 2007, a Rede Record contratou Mendigo e Gluglu (personagem de Vinícius Vieira) para integrar a equipe do Show do Tom. SBT e até a Globo já tentaram tirar o programa da RedeTV!. “O Pânico inovou o humor no Brasil e as outras vieram atrás. Não é copiar, cada um tem um jeito de fazer", opina Carlinhos. Bola espera não haver mais nenhum desfalque no elenco, e, caso tenha, "que não atrapalhe".

Não é à toa que as manchetes da seção de TV de jornais e sites anunciam prováveis saídas dos humoristas do Pânico para outros programas. A Record, que recém-contratou Marcos Mion (ex-MTV), sondou integrantes de diversos humorísticos, inclusive do Pânico, para um projeto jovem. “Estão divulgando que a Record vai ter um programa de humor no ano que vem. Não sei, vamos esperar pra ver”, antecipa Carlinhos.

Na guerra inescrupulosa pela audiência aos domingos, é natural que as emissoras adversárias demonstrem o público fiel do Pânico. No entanto, o programa renovou o contrato com a RedeTV! até 2012, a garantia de, pelo menos, mais três anos de humor na RedeTV!. E de terror para a concorrência.

domingo, 6 de setembro de 2009

Bastidores da reportagem "25 anos de Chaves e Chapolin no Brasil"


Observação: novamente, valho-me da primeira pessoa para relatar um fato pessoal, porém interessante de ser publicado: a produção de um reportagem de TV feita por um estudante de jornalismo.

O programa
Edição Extra, produzido por estudantes de Jornalismo e Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero e exibido mensalmente na TV Gazeta, será especial, pelo menos para mim, Paulo Pacheco, fundador do Letras Escapadas: Meu apreço pelos seriados Chaves e Chapolin rendeu uma reportagem que será exibida hoje, à meia-noite.

A pauta "25 anos de Chaves e Chapolin no Brasil" conseguiu ser aceita pela editora do programa, Regina Soler, que já trabalhou no SBT no final da década de 90. Mesmo assim, corri riscos, já que havia convidado a maioria dos entrevistados antes da aprovação. Caso não tivesse sido aprovada, teria de cancelar todos os convites.

No entanto, acredito que a entrega da pauta com entrevistas agendadas teve seu lado positivo, já que, aliado ao fator "data comemorativa" (Chaves e Chapolin comemoram bodas de prata em agosto) pressionou a aprovação. Afinal, grande parte do trabalho de obter fontes afins de gravar conosco já tinha sido concluída, não é mesmo?

No dia 13 de agosto, a primeira gravação. José Salathiel Lage dirigiu o núcleo de dublagem do SBT na época da vinda dos seriados mexicanos. Mário Lúcio de Freitas, grande amigo de Salathiel e que já participou do Edição Extra, nos passou o telefone do hoje consultor de comunicação do SEB (Sistema Educacional Brasileiro).

Atencioso, porém preocupado com o barulho da equipe do programa na sala de estudos, Salathiel concedeu a entrevista no terraço do prédio onde trabalha. Apesar de cometer alguns equívocos, ele nos contou o que queríamos saber: Silvio Santos o tinha telefonado para ouvir uma opinião sobre Chaves. Os elogios de Salathiel ao humorístico foram importantes para a decisão do dono do Baú de colocar um programa de tão baixa qualidade técnica no ar.

No dia seguinte, fomos entrevistar Luís Joly e Fernando Thuler, autores dos livros Chaves: Foi sem querer querendo? e Chaves e Chapolin: Sigam-me os bons!. Os dois trabalham juntos na mesma empresa, facilitando a gravação. Solicitei a eles que levassem bonecos ou pelúcias do Chaves para incrementar o cenário. Fui atendido.

Os jornalistas relembraram fatos interessantes, como o preconceito que enfrentaram na faculdade por causa do tema do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), justamente Chaves (que mais tarde se tornaria o primeiro livro lançado por eles, em 2005).

Duas gravações realizadas com sucesso. Faltava a mais importante: com os dubladores do seriado. A sorte veio a meu encontro quando sintonizava a Rede Brasil de Televisão, canal recentemente acusado de transmitir séries ilegalmente, em um dia qualquer, no programa A Tarde é Show, do qual Nelson Machado participou. O dublador do Kiko divulgou seu telefone, e anotei. "Vai que um dia eu precise", pensei. Semanas depois, liguei para Nelson. Às 10 horas. Ele me atendeu com uma voz sonolenta. Eu tinha acordado o dublador do Kiko!

Enfim, propus a Nelson uma gravação em um estúdio, onde simularia a dublagem do Chaves. Ele sugeriu os estúdios da BKS. Solicitei o empréstimo de um estúdio. Uma série de imprevistos não permitiram a gravação na renomada dubladora (a antiga AIC). Em contrapartida, recebi o contato de Cecília Lemes, a segunda dubladora da Chiquinha.

Enquanto procurava local para a última gravação, convidei sósias para participarem da matéria. Ricardo Manfredini e Flávio Pelozin, conhecidos meus de eventos como o Anime Friends e encontros de fãs, aceitaram gravar fantasiados de Chaves e Chapolin, respectivamente. Tiago Frazão, sósia do Professor Girafales, não compareceu, apesar de ter informado Mariana Damiani, outra grande fã do seriado, sobre reportagem. A locação e a data já haviam sido decididas: o restaurante Chilango, palco de dois encontros sobre Chaves, no dia 22 de agosto.

O Orkut foi fundamental para convidar dois sósias: Ana Cláudia (Chiquinha) também não pôde ir, ao contrário de Rogério Favo. Além de sósia do Kiko, ele participara do programa Vinte e Um, do SBT, apresentado por Silvio Santos. Na ocasião, Favo respondeu a perguntas sobre Chaves e questionou o sumiço dos episódios "perdidos". Silvio desconversou. Favo, então, teria uma participação mais expressiva que a dos outros sósias.

Sem alternativas, fui prático: chamei Nelson e Cecília para gravarem conosco no mesmo restaurante. Mariana Damiani levou a família para acompanhar a gravação de seu TCC, sobre o Chaves. O produtor Antonio Costa sugeriu entrevistá-los para "dar voz ao povo" na reportagem.

Entrevistei Favo e Nelson Machado. Neste, fiquei apreensivo, apesar de tê-lo conhecido pessoalmente em 2005. Antonio decidiu conversar com Cecília Lemes para agilizar a gravação. Pôde-se notar as diferenças das entrevistas: enquanto o "repórter-fã", fez questões mais específicas para Nelson, Antonio cumpriu sua função e perguntou apenas o básico a Cecília, com direito a uma palhinha da Chiquinha. Uma entrevista comum, mas perfeita.

Pelo Twitter, convidei David Denis Lobão para comentar os episódios "perdidos" e gravamos junto aos sósias. Mesmo sendo um mistério a ser desvendado, o depoimento de David distanciou-se da concisão, tão valorizada na rede social. No Chilango, o teatro foi montado: Chaves, Kiko e Seu Madruga gravaram um sketch para a matéria. Seu Madruga? Sim. Flávio Pelozin não levou sua fantasia de Chapolin, que, aliás, é perfeita.

Com todas as entrevistas realizadas, chegou a vez da edição, marcada para 3 de setembro. Para incrementar a reportagem, levei DVDs com episódios gravados da TV por fãs. Manfredini colaborou, copiando parte de sua coleção para mim. Regina Soler elogiou a matéria, porém indagou: "O SBT autorizou o uso dessas imagens?". A mesma apreensão da entrevista com Nelson Machado me tomou novamente.

Acusado de pirataria, fiquei preocupado. A reportagem pelas redes sociais esta sendo divulgada intensamente. Agora, corria o risco de não ir ao ar. Na mesma noite, corri ao Twitter, desesperado, pedindo a todos os telefones do SBT e mandando tweets a Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos e atual diretora do SBT. Ela havia, na noite anterior, gostado da iniciativa da reportagem e que iria assistir quando publicássemos na internet. Não tive a mesma sorte, e ela não me respondeu.

Na manhã seguinte, conheci, pelo telefone, quase toda a equipe do SBT. Desde o segurança ao advogado. Incrivelmente, a autorização veio por e-mail. Maisa Alves, gerente de comunicação, repassou a permissão do assessor executivo, Rafael Larena. A reportagem, enfim, estava garantida.

A reportagem "25 anos de Chaves e Chapolin no Brasil" irá ao ar hoje, 6 de setembro, à meia-noite, dentro do programa Edição Extra, pela TV Gazeta.