segunda-feira, 1 de março de 2010

O suor multirracial

Filme mostra lições de superação e esperança em um país tomado pelo apartheid

Por Fernanda Patrocínio e Paulo Pacheco

Invictus, dirigido por Clint Eastwood, mostra como Nelson Mandela utilizou o rúgbi para unificar uma nação dividida pelo apartheid. Escolhido pelo ex-presidente para interpretá-lo na película, Morgan Freeman dá vida a um líder sensível, que olha com otimismo as pequenas vitórias em uma nação desgastada político e socialmente.

É com este espírito esperançoso que Madiba – forma carinhosa na qual os sul-africanos chamam Mandela – dá forças a seleção de rúgbi do país (conhecida como Springbooks), contrariando a todos. O esporte é uma das heranças da colonização britânica na África do Sul, sendo praticado majoritariamente pela população branca. Ao assistir a uma partida, ele percebe que a seleção é um grande fiasco, como a nação dividida entre brancos e negros. Sendo assim, promove a mobilidade social entre os sul-africanos pela Copa do Mundo.

O capitão do time de rúgbi, François Pienaar, é o escolhido por Mandela para representar essa nova esperança da África do Sul. Interpretado por Matt Damon, o personagem vem de uma família que é contra o fim do apartheid e teme que a liderança do negro Mandela se vingue da presença branca no país. Madiba ficou 26 anos preso devido ao governo regido por brancos. Pienaar é convidado a tomar chá – outro hábito inglês – com o presidente e, nesta conversa, ele revela o desejo de ver, até então, o fracassado time de rúgbi da África do Sul sendo campeão do mundo. Na equipe só há um jogador negro e este é o grande ídolo do país, não somente pelo desempenho em campo, mas devido ao peso simbólico de um afrodescendente em um time predominantemente branco.

Mandela mescla esporte e política, construindo uma emocionante narrativa contemporânea da África do Sul. No decorrer da história pequenos gestos de união intrerracial são evidenciados, alegrando o sábio governante. A dedicação dele é tanta que há momentos em que os personagens se perguntam se ele está interessado somente na política ou no esporte também. O presidente cria um vínculo forte, quase familiar, com os atletas do time de rúgbi. Passa a deixar a política em segundo plano e transforma a modalidade em paixão nacional. Fato é que a perseverança em todo processo transforma uma nação, que apesar de continuar pobre, tem sua auto-estima aumentada.

Freeman incorporou o Madiba na vestimenta, discursos e até mesmo no peculiar sotaque inglês do idioma sul-africano. A narrativa do longa deu um tom mais romântico, quase canônico, à vida dele. Essa característica se evidencia quando Pienaar visita a cela onde o presidente ficou preso. Ele, recordando o poema que o líder lia para se reerguer, percebe a responsabilidade de unir seu time para que Mandela pudesse unir seu povo.

No filme, Eastwood usa um esporte violento para representar a realidade crua que a África do Sul vivia. A segregação racial, miséria, sobretudo da população negra, rivalidades e falta de esperança no país e no sentimento de cidadão sul-africano são tão transparentes quanto as vexatórias derrotas dos Springbooks. De forma agressiva e perseverante a história de superação é construída, valendo-se a força interior que cada um carrega em si. A imagem do início da película, em que crianças negras abandonam o jogo de futebol para saudar intensamente Mandela, revela que ali transita um dos maiores ícones da contemporaneidade.

Quem assiste a Invictus sai do cinema encantado com lições de superação contadas no longa: a seleção desunida, preterida pela maioria da população, mas que conseguiu vencer a Copa do Mundo; a de Mandela, abandonando o triste passado de segregação para reconstrução de sua nação e da África do Sul, que sedia a Copa e mostra o significado do patriotismo ao mundo. Dever cumprido para um homem que, através do esporte, trouxe de volta o amor para seu país.

Esta crítica foi originalmente publicada no site de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A "galera" mais feliz do Brasil

ATENÇÃO: ESTE TEXTO, SOBRE OS BASTIDORES DO PROGRAMA 1 CONTRA 100, CONTÉM SPOILERS (INFORMAÇÕES SOBRE O ENREDO). CASO QUEIRA MANTER A EXPECTATIVA PARA A EXIBIÇÃO DO PROGRAMA, NÃO LEIA.

Neste domingo, a produtora Casablanca gravou três edições do programa 1 contra 100. Pode ser um fato comum para Roberto Justus, o apresentador, e Paulo Franco, o diretor. Mas, para mim, Paulo Pacheco, uma das gravações foi especial. Porque teve minha participação.

Quando soube, através do Twitter, que a produção do programa estava à procura de fãs do SBT para participarem do 1 contra 100 especial "SBTistas" (fanáticos pela emissora), não me contive e enviei meus dados instantaneamente. Na segunda-feira, dia 1º, soube que tinha sido selecionado. Após a informação, organizei minha rotina para que nada desse errado.

Logo começaram os empecilhos. As restrições quanto ao vestuário eliminaram todas as peças de meu guarda-roupa. Sendo assim, tive de aderir ao "pretinho básico" e comprei uma camisa às pressas.

Hoje, às 13 horas, uma fila de jovens fãs do SBT aguardando a gravação do programa (era a segunda) se formou na produtora. Andando pela fila, percebia-se conversas distintas: de "como foi a audiência ontem?" a "você se lembra em que dia estreou tal programa?", mas todas versavam sobre "a TV mais feliz do Brasil". Tentei entrar em alguns grupos por meio do humor, rindo de emissoras concorrentes e realizando minha divertida, porém infame, imitação do Silvio Santos. Muitos gostaram, para meu alívio. Alguns participantes eram simplesmente ilustrativos, apenas preenchiam espaços vagos no estúdio. Realizamos, pois, um "intensivão" sobre o SBT para os "figurantes" não darem vexame.

Durante a permanência na fila, assinei os termos de responsabilidade. Após entregar o contrato, entreguei as cópias dos documentos solicitados (RG, CPF e comprovante de endereço) e recebi o delicioso lanche oferecido pelo SBT: meia baguete de queijo sabor peru, bombom Sonho de Valsa e um suco de caixinha sabor pêssego. Devorei-o após a maquiagem - sim, fomos maquiados! Celulares e câmeras tiveram suas baterias retiradas, eliminando qualquer possibilidade de registro do programa. A plateia - a mesma de outras gravações - pôde nos fotografar, assim como o profissional contratado pelo SBT.

Recebi uma fita de identificação e um adesivo com meu número: 74. "Será que vou aparecer muito?" Não pensei nisso com intenção de me exibir demasiado no programa. Ao contrário, queria me esquivar ao máximo das câmeras. Os mais filmados ocupam os lugares próximos ao posto de Roberto Justus e do convidado ou ao telão do cenário. Graças à lei de Murphy, a cabine 74 preenchia este requisito. Pelo menos estava maquiado!

Antes do especial com "SBTistas", o produtor nos aqueceu. Perguntava a toda hora se era "a grana ou a galera". Fiquei rouco de tanto gritar "a galeraaaaaa! Vem! Vem! Vem!". Em seguida, veio Justus para gravar um comercial. Impaciente, recusou-se a repetir pela quarta vez a gravação e pedia para a produtora secar seu rosto suado.

Enfim, a gravação começou. Três horas depois de chegarmos à Casablanca. Os convidados especiais - Liminha e Patrícia Salvador - ocuparam seus postos. Na plateia, outra ilustre convidada: Daniela Beyruti, diretora-geral do SBT e musa dos "SBTistas". A primeira convidada, Christina Rocha, abusou da irreverência, sua característica mais marcante.

Caí na pegadinha da primeira pergunta. Minha saída precoce do programa foi compensada pelo momento mais emocionante de minha relação com o SBT. Roberto Justus, ao ver que Patrícia Salvador tinha errado a questão, quis fazer graça, e perguntou quem sabia imitar o Silvio Santos. Imediatamente vi dedos indicadores apontados para o número 74. Era a minha fama nos bastidores! Repeti duas vezes, pois a câmera não havia me localizado. Descontraído, porém tímido, imitei o dono do Baú e fui aplaudido. Emoção indescritível!

Mesmo desclassificado, continuei a responder às perguntas. O aparelho embutido à cabine tem números e uma tecla "C", que não funcionavam. Os botões que interessavam eram os correspondentes às letras das alternativas ("A", "B" e "C"). Tínhamos dez segundos para responder à questão, e isso deve ser feito com muita calma. Alguns afobados apertaram o botão antes da luz vermelha piscar no aparelho, e foram eliminados. Outros, nervosos, responderam após o tempo estipulado. No visor aparece o nome do programa, uma contagem regressiva de dez segundos e o número do RG de cada um, inclusive o dos convidados. Conferi a informação vendo o visor do aparelho do Liminha, que ocupou o lugar 72, bem próximo a mim.

Decepcionei-me com minha saída precoce da competição. Estava acertando todas as questões subsequentes. Contudo, senti-me aliviado quando respondi - mesmo sem valer nada - a uma pergunta relacionada ao programa Domingo no Parque. Chutei, errei e pensei: "Puxa, eu iria sair de qualquer maneira".

O participante seguinte era o carismático e inteligente Moacyr Franco. Àquela altura, estava apreensivo. Além de temer o desempenho do convidado, minha bexiga começava a encher rapidamente. Disfarcei a vontade de ir ao banheiro com pulos e muita agitação. Por sorte, as perguntas eram fáceis. Aprovei minha performance nessa parte do jogo.

Na saída, corri até o banheiro, mas parei pela vontade de tirar uma fotografia com Patrícia Salvador. Minutos depois, foi a vez do encontro com Daniela Beyruti (foto - tremida, infelizmente - ao lado). ela, que estava tranquila junto à plateia, foi convidada a se juntar à "galera". Ela topou, e ocupou o lugar de uma moça que tinha ido ao banheiro. "SBTistas" que estavam na entrada da produtora avistaram sua musa. Fotos, beijos e abraços. A filha "número 3" de Silvio Santos sentiu na pele as consequências da fama, ainda sentidas pelo pai.
O dia 7 de fevereiro foi o dia da glória dos jovens que participaram do 1 contra 100. Para Justus, Franco e a produção do programa, mais uma gravação. Para os "SBTistas", a oportunidade de fazer parte da história do SBT e de conhecer os ídolos.

O 1 contra 100 especial com "SBTistas" irá ao ar, provavelmente, entre o fim de março e o início de abril de 2010, segundo o diretor Paulo Franco.

ATUALIZADO: O 1 contra 100 especial com "SBTistas" irá ao ar dia 14 de abril, a partir das 23h, de acordo com o diretor do programa, Paulo Franco.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gazeta: a "nanica" imponente

No aniversário de 416 anos de São Paulo, a cidade ganhou uma emissora de televisão para chamar de sua: a Gazeta. Quarenta anos depois, a trajetória do canal da Fundação Cásper Líbero, que se confunde com a história recente da metrópole, é contada pelo pesquisador Elmo Francfort no livro Av. Paulista, 900: A História da TV Gazeta.

O livro, impresso pela Imprensa Oficial, integra a Coleção Aplauso, da mesma editora do Governo do Estado. O lançamento aconteceu na noite de aniversário da emissora, no Teatro Gazeta. Centenas de personalidades e profissionais de diferentes épocas da TV quarentenária compareceram à noite de autógrafos.


Telões exibiam momentos marcantes da trajetória da emissora. Equipamentos antigos, datados da época da fundação, foram expostos no evento. A TV Gazeta exibiu links ao vivo no programa Todo Seu, de Ronnie Von, excepcionalmente apresentado ao vivo.

Elmo, de 27 anos, também publicou Rede Manchete: Aconteceu Virou História (2008), é diretor da Associação Pró-TV e responsável pelo departamento histórico do Museu da Televisão. Um fã declarado de televisão que soube unir o útil ao agradável.

"Quando a gente faz o que gosta vai longe. E acho importante essa paixão pela TV, justamente no sentido de preservar a própria história, seja da TV, do rádio, do jornalismo. Isso é muito importante, não apenas para mim, mas também para as pessoas que são do meio, para aprender um pouco mais e fazer cada vez mais um trabalho que faça com que o jornalismo evolua mais ainda", declarou Elmo Francfort durante a sessão de autógrafos de seu mais recente livro.

Quem também não poderia deixar de comparecer é Vida Alves. A atriz de 81 anos (fará 82 em abril), protagonista do primeiro beijo da TV brasileira, fundou a Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira, e lamenta a falta de interesse pela conservação da história deste meio de comunicação. "Acho difícil convencer autoridades, os governadores, os prefeitos. Eu estou sempre batendo nas portas. Um dia acontecerá [o interesse], mas ainda não aconteceu."

Vida, aliás, considera-se "predestinada". Além do beijo, até então inédito, em Sua vida me pertence (1951), apresentou o primeiro programa regular em cores da TV brasileira, na Gazeta, em 14 de março de 1972: Vida em Movimento. O vestido azul e vermelho que estava na exposição foi usado por Vida no programa e pareceu simples para uma ocasião tão importante. Ela se justifica: "O meu vestidinho era mais bonitinho, este é uma réplica. O capricho está sempre em concordância com o bolso, você sabe que o bolso não era muito cheio. Mas, de qualquer forma, houve a intenção de colocar duas cores no vestido".


Apesar de - ou por - ser a menor das emissoras abertas, a Gazeta é lembrada por sua independência editorial e pela isenção jornalística. "Aposto que em uma TV grande um editor não pode trabalhar como redator ou como repórter. Em uma emissora pequena, não. Você redige o texto, de repente, diante da necessidade, o editor-chefe chama para fazer um trabalho de repórter. Em uma TV de pequeno porte você consegue trabalhar em todas as áreas. É ideal para quem quer começar", diz Laerte Vieira, âncora do Jornal da Gazeta.

Outro que reconhece a liberdade que a Gazeta proporciona é Leão Lobo, que saiu da emissora em 2002, quando uma crise provocou demissão de funcionários e foi comparada por muitos à crise que extinguiu a Rede Manchete (1983-1999). Embora tenha passado por outros veículos que proporcionam independência jornalística - rádios Globo e Record e TV Bandeirantes -, o apresentador, atualmente na CNT, recorda com saudade sua época na Fundação Cásper Líbero.

"Algumas emissoras são grandes, mas comprometidas. Aqui na Gazeta era uma maravilha, eu amava trabalhar aqui, disse isso no depoimento que dei sobre a história da Gazeta, e é o que eu sinto. É uma emissora em que eu saí chorando e voltaria sorrindo, porque eu amo essa casa, deixei grandes e queridos amigos", relembra Leão.

Durante a pesquisa para a publicação. O escritor revelou que aprendeu "que sempre é possível fazer a lei. Você pode ter o recurso que tiver, mas se não tiver a cabeça para usar esses recursos, você nunca vai fazer nada."


Mais eventos relacionados à TV acontecerão em 2010, em virtude do aniversário de 60 anos de sua inauguração no Brasil, em 18 de setembro. "Teremos uma exposição na Caixa Cultural e um evento, este ainda está só embrionariamente preparado, que vai ser – espero – na Sala São Paulo, homenageando os pioneiros", antecipa Vida Alves.

Já Elmo Francfort esconde o jogo quanto a futuras publicações televisivas: "Surpresa, surpresa". Os admiradores da história da TV aguardam as novas pesquisas, que, certamente, serão fontes de estudo nas bibliotecas das principais faculdades de comunicação do país.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Próxima estação: Sacomã

José Serra, governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, bem que tentou, mas não conseguiu inaugurar sua "menina dos olhos" a tempo: a Estação Sacomã, prolongamento da Linha 2 - Verde do Metrô, só foi aberta no último 10 de janeiro e para testes. É a chamada Operação Assistida. Como ainda não há previsão para a inauguração, os usuários poderão aproveitar por mais tempo a viagem grátis entre as estações Alto do Ipiranga e Sacomã.

O percurso entre as recentes paradas é feito de maneira tranquila. O cheiro de terra ainda persiste, causa desconforto no início, mas torna-se imperceptível quando o trem chega à plataforma da nova estação. Chegando ao Sacomã, as portas dos vagões se abrem simultaneamente às do bloqueio de vidro, novidade da "mais moderna estação da América Latina", segundo o Metrô de São Paulo. À prova de suicídios, a inovação fará com que a faixa amarela seja, enfim, respeitada.

Ao sair da estação, mais surpresas: a escada rolante que só acelera quando há usuários nela prova espanto, desequilíbrio e quase tombos. No andar intermediário (entre a saída e as plataformas), o teto decorado com curvas disformes brancas parece um mar agitado pela maré. Por enquanto, sem vestígios do "concretão" típico das estações mais antigas.

Bilhete Único em mãos, mas e as catracas? Aquele impulso com a barriga para ultrapassá-la ficará obsoleto quando a nova estação for inaugurada. Portas de vidro automáticas, que parecem cortinas, só se abrem quando o sensor lê o Bilhete Único.

No retorno ao Alto do Ipiranga, o porquê de ser uma Operação Assistida: as portas do bloqueio de vidro das plataformas ainda não fecham simultaneamente às do trem. A viagem é postergada por alguns minutos, até que tudo estivesse devidamente regulado.

Ainda é cedo para estrear a "obra de arte" do Governo de São Paulo. Falta integrar a estação Sacomã com o Expresso Tiradentes, que fica próximo. Mas é interessante notar os avanços na construção do Metrô e ter uma perspectiva de como ficarão as futuras linhas, como a 4 - Amarela e a 6 - Laranja, e as futuras estações das linhas 2 - Verde e 5 - Lilás.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Alô, alô, Paloma!

Às vésperas de completar 28 anos, Paloma Piragibe já coleciona êxitos em sua carreira profissional. Formada em jornalismo pela PUC, a carioca encontrou seu auge trabalhando como produtora de Alô, Alô, Terezinha (ao lado, Paloma e Roberto Carlos no intervalo das gravações), documentário dirigido por Nelson Hoineff, exibido recentemente nos cinemas e que será lançado em DVD em março, sobre a trajetória do ícone da TV entre os anos 60 e 80, Abelardo Barbosa (1917-1988), o Chacrinha. Atualmente redatora do programa Show do Tom, da Record, Paloma revela em entrevista exclusiva que seu começo na área não foi fácil – chegou inclusive a trabalhar de graça – e confessa sua paixão por personagens da vida real. Confira:

Como foi o início de sua carreira?
Fiz cinco anos de Jornalismo na PUC-Rio. O normal são quatro, mas trabalhei do segundo para o terceiro período. Só estou onde estou porque pude “investir” muitas vezes em estágios quase de graça. Mas nada é de graça. Na verdade, sempre vi o trabalho como algo importante demais. Aos 20 anos, lutei para estar em uma redação de jornal (qualquer uma), e a batalha e a sorte me ofereceram o Jornal dos Sports: esporte amador, educação, saúde e especiais de futebol... Descobri minha paixão por personagens, histórias boas pra contar, minha escola. [Fiquei no jornal] Um ano e dez meses, os quatro primeiros sem ganhar nada, dando plantões como todo mundo. Mas era minha feliz opção. Eu queria assim. Não me arrependo e faria tudo de novo. Fui chamada para uma entrevista com a ex-técnica de ginástica olímpica e ex-deputada estadual no Rio, Georgette Vidor (foto abaixo), para sua assessoria de imprensa. Entrei no mundo das pessoas com deficiência e essa foi uma das grandes recompensas. Foi aí que descobri a imagem e o som. Produzi um programa na televisão pública para Georgette, PPD em Debate (“Pessoa Portadora de Deficiência em Debate”).

Desde quando surgiu o interesse por televisão e decidiu que queria seguir a carreira audiovisual?
Acredito que foi quando entrei no programa estagiar da TV Globo. Em outubro de 2004, uma professora de telejornalismo da PUC-Rio disse para não deixar de fazer a prova do Programa Estagiar da Rede Globo de Televisão. Eram oito ou nove etapas, fui passando e fiquei um ano na Editoria Rio da TV Globo. Quando meu estágio acabou, não me contrataram, mas a galera do Fantástico conhecia meu trabalho pelos corredores, por achar ótimos personagens. Fiquei um ano colaborando nas reportagens, toda terça-feira estava na reunião de pauta do programa. Depois me deram um contrato de quatro meses (eu já estava formada). Ser produtor de reportagem é gostoso demais. É mais ou menos como ser produtor de documentário, só que com a diferença que tem que ser no “time” da TV, ou seja, absolutamente rápido. TV é apaixonante. A responsabilidade é enorme e acho que fazer TV é gostoso por isso: desafio de um bom conteúdo junto com tempo.

Como conheceu Nelson Hoineff?
Quando o contrato acabou, o produtor Eduardo Faustini me indicou para Nelson Hoineff para fazer o filme Alô, Alô, Terezinha. Só falei ao Nelson assim: “Amo personagens reais.” E ele: “É isso. O filme do Chacrinha será tudo que o cerca, personagens reais. Você pode começar amanhã?” E fiquei dois anos na produtora audiovisual do Nelson – Comunicação Alternativa (COMALT). Alô, Alô, Terezinha foi o filho. Mas pude fazer outros projetos, aprendi formular outras ideias, e não tenho dúvidas de que passei a ver televisão de outra forma. Aprendi muito, mas muito com Nelson.

Como conheceu Abelardo Barbosa, sendo tão pequena na época da morte dele?
Lembrava do Chacrinha sábado à tarde em casa com os primos, mas nada profundo. Sabia que era um apresentador. Já era louca por TV, mas não imaginava trabalhar nela. Lembro demais da cobertura do seu enterro. Já na faculdade de comunicação ele era um mito. Chacrinha foi um presente e vai ficar na minha vida profissional e pessoal para sempre. Digo isso porque não vejo TV da mesma forma. Identifiquei-me demais com Chacrinha. Gênio, uma sabedoria audiovisual, digamos. Como produtora ao lado do Daniel Maia e pesquisadora, obviamente que descobri e conheci Chacrinha por centenas de programas, estudando uma gargalhada dele, por exemplo, um bordão, livros, o comportamento dele no palco e como ele queria os programas de sucesso que realizou. Chacrinha é único. Digo a todos que estudam comunicação: “Conheçam um pouco do Chacrinha. Como vale a pena para quando atuarem no vasto mercado audiovisual, seja TV, cinema, celular ou internet, ter um pouco do Chacrinha, dependendo do conteúdo a ser produzido.

Alô, Alô, Terezinha foi sua primeira experiência com documentários?
De um longa sim. Mas, quando trabalhei com Georgette, já tinha decidido que meu TCC seria um documentário e com quatro personagens com deficiências diferentes. Tive a coordenação do grande cineasta e professor Silvio Tendler, que apoiou a ideia.

A produção teve o cuidado de transformar o documentário em um registro histórico, muito mais do que um simples momento nostálgico?
Desde o início, Nelson não queria algo biográfico. Nada de “papai, mamãe e titia”, entende? Nelson desejou um Cassino do Chacrinha (último programa do Chacrinha) dentro da tela grande. E foi isso que fizemos. Alô, Alô, Terezinha tenta mostrar ao máximo o comunicador Chacrinha através dos calouros, os artistas, as chacretes, ou seja, exatamente tudo que o cercava. Esta foi sempre a ideia do diretor e um bom produtor realiza os sonhos do cara que manda. Foi uma experiência linda, e como toda boa experiência, muita luta, mas muita luta mesmo.



Foi difícil encontrar os ex-calouros e as ex-chacretes que aparecem no documentário?
Não foi fácil, mas foi prazeroso. Ligava para associações de moradores. Mas até que um dia, durante a dificuldade, pensei: “Rádio é um grande meio de comunicação, calouros em grande parte eram de baixa renda, certamente não estão na internet, mas continuam escutando rádios populares”. Foi aí que comecei a mandar notas para todas as rádios comunitárias. Claro, recebemos trote de pessoas querendo cinco minutos de fama. Aí o jornalismo atuou muito. Selecionamos várias histórias, procurei imagens... Juntei boas histórias com imagens, como foi o caso do Manoel de Jesus (personagem do filme). Achamos grande parte das ex-chacretes através de Nanato e Leleco Barbosa (filhos do Chacrinha). Mas [para encontrar] a Fátima Boa-Viagem, por exemplo, Nelson sempre visitou a cidade Lumiar (região serrana do Rio), e alguém comentou com ele que ela trabalhava lá. Eles se encontraram, e produzimos. Muitas chacretes maravilhosas não entraram apenas pelo tempo. Caso contrário, teríamos umas dez, vinte horas de filme.

Os ex-calouros do Chacrinha ficaram surpresos por terem sido requisitados após tanto tempo em que apareceram na TV?
Nossa! Eles, as ex-chacretes e de repente até artistas como Biafra, não é? Aquele momento de achá-los e marcar uma entrevista uma glória para eles. Todos ligavam toda semana para saber quando o filme seria lançado, choraram no lançamento. Ligam para mim até hoje! Ficaram eternos na telona, é assim que acham.

A última cena de Alô, Alô, Terezinha traz o assistente de palco Russo caminhando ao som da canção de abertura do Cassino do Chacrinha no piano. Esse fim melancólico foi proposital, como se representasse a TV pós-Chacrinha (apática, sem alegria)?
Isso foi uma leitura sua. Bela leitura, aliás. Mas não tem como falar do Chacrinha para as pessoas que lhe assistiam sem a palavra “saudade” estar presente. Os momentos eram realmente para serem no estilo dos programas dele, esse foi o objetivo do Nelson. Buscamos o real. Deixamos as chacretes falarem. Um bom jornalista sabe escutar, somos mais que psicólogos, e deixamos todos à vontade. Todos que viveram momentos de glamour e foram esquecidos... Com Alô, Alô, Terezinha, acredito que muitas se sentiram como uma etapa cumprida.

Você agora integra a produção (foto abaixo) do Show do Tom, da Record, em que são feitas paródias, como a do filme Tropa de Elite ("Bofe de Elite") e do reality show A Fazenda ("O Curral"). Acredita que, com isso, leva adiante o ensinamento de Chacrinha, que disse que "na TV, nada se cria, tudo se copia"?
Para mim, Tom Cavalcante é um artista completo. Além de humorista, se ele quisesse atuar em um musical sairia bem demais, não duvido. Como Chacrinha, Tom faz a diferença na televisão. Não apenas pela elevada audiência que tem, mas pelo trabalho. Ele pensa 24 horas em televisão, como Chacrinha, e tenta “pescar” tudo para usar em algum momento no futuro. Observa, escuta... Tom é gênio, e fazer parte de sua equipe e ter feito [o documentário sobre] Chacrinha, acho que são presentes divinos e coloridos, como a televisão. Uma paixão!

Depois de Alô, Alô, Terezinha, pensa na próxima produção? Sonha em ser diretora?
Sim. Já tenho projetos em mente e aqueles outros que sonhamos, não é? Um deles é para 2011 e, coincidência ou não, só posso dizer que é outro personagem que mudou a televisão. E o que é sonho ainda é um documentário sobre o Tom. A história e tudo que o cerca é grande demais. E o melhor: ele continua fazendo história, está vivo para poder assistir a seu documentário, diferentemente do Chacrinha. É um sonho.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Com vocês, o Steamrollers

O futebol americano do Corinthians deixou escapar o título Paulista de 2009. Após uma campanha invicta, o Steamrollers caiu nos play offs do campeonato organizado pela LPFA (Liga Paulista de Futebol Americano). Passado o revés, a equipe prepara sua arrancada em 2010.

Criado nas ruas de Diadema (Grande SP) em 2004, o Steamrollers conseguiu projeção estadual dois anos mais tarde, quando terminou o Campeonato Paulista em segundo lugar. A grande mudança veio em 2008. O atleta Ricardo Trigo foi convidado para integrar o elenco, e logo saiu atrás de patrocínio.

"Buscamos de todas as formas ajuda para que o time crescesse, mas as portas não se abriram, pelo esporte não ser reconhecido e por não sermos uma associação", conta Trigo. Em abril de 2008, o grupo de amigos que formava o Steamrollers fundou a associação, e a procura de parceria tornou-se mais fácil. O Timão apoiou a equipe, que passou a se chamar Corinthians Steamrollers desde maio daquele ano.

Trigo recorda que, no começo, por ser ainda desconhecido, o Steamrollers não tinha campo reservado, e por isso jogava no terrão do clube. Aos poucos, o prestígio do time aumentou, e hoje os atletas treinam em um campo society.

A perda do título paulista mexeu com os ânimos dos jogadores. A contusão do quarterback Cauê Martins – o "cérebro" do time, segundo Trigo – foi crucial para o desempenho do Steamrollers nos play offs. No entanto, a derrota já virou passado, e Trigo prefere lembrar apenas os resultados positivos na competição. "Dos 22 melhores atletas eleitos do campeonato, o Corinthians teve 12", comemora.

Em dezembro de 2009, o Steamrollers promoveu uma seletiva para a próxima temporada. "Tivemos 420 inscritos. A qualidade dos atletas era tão grande que resolvemos montar mais duas equipes. Uma para tirarmos grandes jogadores para o time principal. A novidade é a equipe juvenil, que trabalharemos para o futuro. Quem não entrou para o grupo de 45 selecionados integrará o projeto de escolhinha de futebol americano do Corinthians, algo inédito no país", revela Trigo.

Apesar de não ser o técnico – "coach", na linguagem do futebol americano – Trigo possui um importante papel fora dos campos. Ele atua como relações públicas e assessor de imprensa, atualiza o site e capta patrocínios para o time. Atualmente, a equipe conta com a diretora Susy Nomura e uma comissão técnica formada por dois treinadores: Luiz Basílio Neto e o "coach" Fabio Marin.

"O Corinthians Steamrollers foi o time de maior exposição na mídia, fazendo o futebol americano crescer e arregimentando mais torcedores para este esporte ainda desconhecido no país", festeja Trigo, que espera estes novos “fiéis” nos campeonatos de 2010.

Confira o calendário de competições do Corinthians Steamrollers:

31/1 – Jogo comemorativo contra o campeão paranaense Barigui Crocodiles, em Curitiba (PR).

28/2 a 28/6 – Campeonato Paulista.

24/4 – Jogo comemorativo pelo aniversário de Brasília (DF) contra Buffalos.

3 a 5/6 – Pantanal Bowl, torneio com quatro equipes (incluindo um time universitário dos Estados Unidos), em Cuiabá (MT).

Julho a dezembro – Campeonato Estadual de Flag.

Setembro a dezembro – Campeonato Brasileiro.

EDIT: Esta reportagem é uma versão estendida de matéria publicada no jornal O Fiel de 11 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quatro acertos do SBT em 2009

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2009. Aqui estão os acertos deste ano:

SBT onipresente: Em 2009, o SBT investiu pesadamente em propaganda. Anúncios em jornais e revistas, na TV Minuto, transmitida dentro dos trens do Metrô de São Paulo, e a inserção no mundo virtual constituíram fatores fundamentais para a reviravolta da emissora. Em agosto, o slogan "A TV mais feliz do Brasil" vinha acompanhado das estrelas da casa em outros corpos. Só dessa forma pôde-se ver Silvio Santos sem camisa e Roberto Justus dançando break. A rede social Twitter foi amplamente utilizada pelos funcionários do SBT, e os "SBTistas" são os fãs mais ativos, quando comparados aos de outras emissoras.

Séries "Pantanal": Em uma surpreendente estra
tégia, o SBT deslocou o telejornal SBT Brasil para às 19h30 e ocupou o horário com séries. Arriscado, já que o público da TV aberta não está acostumado a assistir aos produtos da TV paga? Pode até ser. Mas o risco deu certo, e hoje a emissora obtém excelentes resultados às 21 horas. Em setembro, Harper's Island - O Mistério da Ilha mostrou a que veio e dobrou a audiência na faixa de exibição. Seus treze episódios foram transmitidos diariamente, como uma novela. Exatamente a intenção da emissora: dar uma opção a quem não assiste às novelas da Globo e da Record. A meta era de cinco pontos. A audiência média foi de oito. O sucesso seguinte, Sobrenatural (foto abaixo), confirmou a preferência do público. Na última quarta-feira (dia 16), a série obteve 12 pontos de média. Índices semelhantes aos de Pantanal, se considerar a concorrência com a trama das nove da Globo. Além disso, prejudicou as duas esperanças da Record: Bela, a Feia e A Fazenda perdem diariamente para o SBT, que se saiu muito bem sendo a "alternativa".

O domingo mais feliz do Brasil:
Gugu foi embora. Em compensação, Eliana voltou à casa que a projetou, e Celso Portiolli recebeu seu maior presente: o Domingo Legal. Junto de Maisa, nas manhãs, e Silvio Santos, à noite, o domingo do SBT cresceu não apenas em audiência, mas também em felicidade. Na parte mais "triste", Celso visita a família de "Construindo um Sonho" fantasiado, dando mais irreverência ao quadro antes sofrido nas mãos de Augusto Liberato. Eliana trouxe um Tudo é Possível - seu antigo programa na Record - incrementado, e chegou a vencer a Globo nas primeiras semanas. Apesar de não ter mexido nas atrações de seu tradicional programa, Silvio Santos enfrenta corajosamente a cada vez mais competitiva "guerra pelo ibope". Quatro emissoras lutam pelo primeiro lugar, e o mestre da comunicação incomoda a concorrência em torno das 20 horas e após às 23 horas. Para um programa quase cinquentão, é uma vitória frente às "inovações" da concorrência. Mas, para se firmar na disputa, Silvio precisa se atualizar.

A consolidação do SBT Show: O SBT Show, que começou em 2008 como uma alternativa aos telejornais da Globo e da Record, ganhou força em 2009. Você se Lembra?, Esquadrão da Moda, Qual é o Seu Talento? (foto abaixo), Nada Além da Verdade e TV Animal chegam a incomodar a concorrência e inclusive a derrotá-la. Para não provocar desgaste nos formatos, o horário foi ocupado por diferentes programas durante o ano. Alguns form mal-sucedidos, como o reality Só Falta Esposa, às quintas-feiras. Outros, como o 10 Anos + Jovem, às sextas, deixou saudade. Esquadrão da Moda e Qual é o Seu Talento? configuram os destaques da faixa de shows do SBT.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Quatro erros do SBT em 2009

Continuando o balanço anual da programação do SBT, iniciado em 2008, segue o balanço de 2009. Aqui estão os erros deste ano:

Apelação em horário nobre: Uma estratégia de mestre recuperou a audiência noturna do SBT. Mas o espírito do "velho" SBT - que não tinha escrúpulos para aumentar o ibope - ainda resiste. Prova disso foi a exibição de Pegadinhas Picantes (foto ao lado) às 22 horas. Gravado no Leste Europeu, o programa, que estreou em 14 de setembro, causa risos pela nudez inesperada das atrizes. Mas a alegria esconde o desconforto em ver pornografia em horário inadequado - apesar de a classificação indicativa ser 14 anos. Já que o SBT gostaria de manter a boa audiência das séries das 21 horas com humor, poderia ter trazido de volta o Câmera Café - transmitido em 2007 antes e após os telejornais da emissora. Comédia bem feita e sem apelação.

Roberto Justus, o "animador": Foi precipitada a investida de Roberto Justus em um game show. O 1 contra 100 (foto ao lado), que estreou em 16 de setembro, é uma atração com a cara do SBT, emissora craque em programas de entretenimento. Todavia, ter deixado Justus, conhecido nacionalmente como o irredutível chefe de O Aprendiz - reality show apresentado por ele durante seis anos na Record -, no comando foi uma atitude infeliz. Sem menosprezar o talento de Justus, mas o público se assustou ao ver a mudança brusca de feição dele. Talvez isso tenha deixado transparecer a incipiente tentativa do apresentador em sair do estigma de mal-humorado. Um reality envolvendo o mundo empresarial, porém mais dinâmico - como promete o O Grande Desafio, que estreará em 2010 - deveria ter sido a estreia de Justus no SBT.

Desperdício de novelas:
Como se o fracasso de Revelação não tivesse bastado, o SBT insistiu no erro e escalou outra novela de Íris Abravanel para o horário das 22 horas. Vende-se um Véu de Noiva (foto ao lado) manteve um público fiel, mas não sai dos cinco pontos de audiência. Um dos motivos pode ter sido o excesso de externas, que deixou a novela "iluminada" demais, adequada para um folhetim exibido às 19 horas, mas não às 22 horas, fato que prejudicou a fotografia. Contudo, partindo para o campo estratégico, Vende-se um Véu de Noiva herdou um horário antes ocupado pelo boom de Pantanal. Após o término da trama da extinta Manchete, Revelação ficou sozinha no horário. E pior: pensando que alavancaria o ibope da novela de Íris, estreou a nova "arma secreta" da Manchete, Dona Beija (foto abaixo) - quando todos pensavam que seria A História de Ana Raio e Zé Trovão -, após Revelação, às 23 horas. Está certo que a história protagonizada por Maitê Proença dobrou a audiência no horário (de míseros dois pontos para quatro), fato que nada significava para quem esperava um sucesso semelhante ao de Pantanal. Na soma dos prejuízos, três novelas desperdiçadas: Dona Beija - exibida em horário ingrato -, A História de Ana Raio e Zé Trovão - que permanecerá na "geladeira" da emissora em virtude do fraco desempenho das reprises da Manchete -, e Véu de Noiva, texto de Janete Clair (1925-1983) - a maior novelista brasileira.

SBT Manhã, SBT Manhã e SBT Manhã: Não é ilusão. Quando o teles
pectador liga a TV às 4 horas, assiste ao Jornal do SBT Manhã (foto abaixo, de 2008). Às 5 horas, o mesmo jornal é reapresentado. Às 6 horas, surpresa: nova reprise. Deve-se ressaltar o fato de que "só" havia duas apresentações - às 5 e às 6 horas -, mas a partir de 9 de novembro resolveu-se reprisar novamente. Pode ser útil para quem estiver acordando, mas três horas com o mesmo noticiário dos outros telejornais do SBT e com a aparição dos âncoras gravada é um retrocesso para uma emissora que vem investindo pesadamente no jornalismo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Barril de homenagens

Há 25 anos, um gênio desembarcou na TV brasileira: Roberto Gómez Bolaños. O ícone mexicano "Chespirito" estreou no SBT com duas de suas séries mais famosas: Chaves e Chapolin. No último sábado (dia 12), admiradores da obra de "Chespirito" - os "chavesmaníacos" - se encontraram no restaurante Chilango, em São Paulo.

A quarta edição do evento "Vamos ao Chilango com o Polegar Vermelho" trouxe um pedido ao SBT: a reapresentação de episódios que foram exibidos nos anos 80 e que jamais voltaram ao ar, os episódios "perdidos". Muitos, na verdade, são "esquecidos", pois compõem o acervo CH da emissora, porém foram substituídos por roteiros semelhantes. Os fãs criaram um abaixo-assinado na internet, chamado "Volta Perdidos CH & CH", e já conta com mais de duas mil adesões.

Impressionou o interesse da mídia em noticiar o encontro de "chavesmaníacos". O R7 e o UOL levaram fotógrafos. O SBT, que enviou o repórter Diego Sangermano, noticiou superficialmente o motivo do encontro, omitindo - como sempre - o termo "perdidos". A reportagem foi ao ar no SBT Brasil. O Pânico na TV, da RedeTV!, também entrou na brincadeira: Alfinete e Sabrina Sato levaram Zina para mandar "salves" para toda a turma do Chaves.

O ponto alto do encontro foi a participação dos dubladores. Chaves não seria o que é aqui no Brasil se não fossem algumas destas vozes que compareceram ao "Vamos ao Chilango...": Cecília Lemes (Paty, até 1984, e Chiquinha, a partir de 1988), Sandra Mara Azevedo (Chiquinha e Dona Neves, até 1984), Osmiro Campos (Professor Girafales, a partir de 1984) e Sílton Cardoso (Godines até 1990) formaram parte do elenco que deu um ar tupiniquim ao humorístico mexicano. Gustavo Berriel, o fã que dubla há três anos o Nhonho, e agora dubla o Jaiminho e o Senhor Barriga, completou o grupo presente.

Pela primeira vez em um evento CH, duas vozes de uma mesma personagem compareceram. Foi o caso da Chiquinha, que foi dublada por Sandra Mara Azevedo no lote de 1984 e Cecília Lemes a partir do lote de 1988. Os fãs não perderam a oportunidade e realizaram um "duelo de Chiquinhas". As duas choraram simultaneamente. Nos quesitos gritaria e talento, deu empate.

Além das perguntas da plateia, os dubladores encararam uma série de diálogos de Chaves e de Chapolin. Um teve de ser criado para que todas as vozes participassem. A estreia de Osmiro Campos em um evento CH foi bem aproveitada pelos fãs, que encenaram uma "Escolinha do Professor Girafales". Cada resposta "certa" (de acordo com o diálogo da série) valia um prêmio: um DVD com episódios "perdidos".

O encontro reuniu muito mais do que fãs e dubladores: reuniu centenas de corações apaixonados por duas letras: CH. Chaves e Chapolin fez a infância de três gerações. E, se depender dos "chavesmaníacos", não sairá da TV tão cedo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Zona norte sitiada

O título exagera, mas a rotina do morador da região na manhã desta terça-feira (dia 8) foi profundamente alterada em virtude da chuva que caía desde a noite anterior. O volume de água acumulado nas mais de doze horas seguidas de temporal, aliado à sujeira na cidade, inundou ruas, fez o rio Tietê transbordar e dificultou a viagem de quem precisa atravessar a cidade.

Desde as 7 horas o noticiário da TV destacava os efeitos da chuva noturna. O trânsito na ponte da Freguesia do Ó parou pelo alagamento da avenida Comendador Martinelli, continuação da via. A praça Delegado Amoroso Neto e avenida Ordem e Progresso (foto acima), que levam à ponte do Limão, na Casa Verde, foram tomadas pelas águas. Uma longa fila de ônibus com motores desligados formou-se. Motoristas e alguns passageiros permaneceram no veículo, enquanto outros saíram para fotografar a via forçosamente interditada.

João é motorista da linha 978-L/10 (Terminal Cachoeirinha - Terminal Princesa Isabel) há nove anos. Parado na rua Dom Amaral Mousinho, que dá acesso à avenida Ordem e Progresso, ele se lembra da última vez que teve de desligar o ônibus em função de enchentes: "Eu cheguei a parar há três ou quatro meses antes da ponte do Limão".

Até mesmo alternativas à marginal Tietê não puderam ser usadas. As águas ocuparam parte da avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, e de seu prolongamento, a Ermano Marchetti, na Lapa. Interdições também na avenida Doutor Abrahão Ribeiro, também na Barra Funda, próximo ao Fórum Criminal.

Os paulistanos da zona norte de São Paulo já sentem dificuldades de atravessar a cidade desde outubro, quando a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) deu início às interdições nas pontes da marginal Tietê. Com as obras, a da Freguesia do Ó, por exemplo, tem apenas duas faixas sentido centro e uma para o bairro.

Na época, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, declarou, segundo a Folha Online, que se o serviço não fosse realizado nas pontes desde já, as chuvas de fevereiro e março atrapalhariam ainda mais o paulistano. As chuvas começaram em novembro. As dificuldades aos moradores da zona norte também.